Polícia Federal quer novo inquérito sobre dinheiro do Banco Master ao filme Dark Horse

Andrei Rodrigues diz que há indícios para apurar o destino dos valores enviados ao exterior e possíveis usos fora da produção cinematográfica

Por JB POLÍCIA

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A Polícia Federal defende a abertura de um novo inquérito para investigar o envio de recursos ao exterior com a justificativa de financiamento do filme Dark Horse. Segundo o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, há indícios suficientes para uma apuração própria sobre a destinação dos valores e sobre eventuais usos fora da produção cinematográfica.

Em entrevista à GloboNews, Rodrigues afirmou que a PF analisou nas últimas semanas representações já encaminhadas sobre o caso e enviou uma delas à Procuradoria-Geral da República. Caberá à PGR se manifestar sobre o conteúdo, a competência para condução do caso e a definição da relatoria no Supremo Tribunal Federal.

Dinheiro no exterior é alvo da investigação

De acordo com a apuração, uma das linhas de investigação busca esclarecer se parte dos recursos teria sido usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. A PF também quer verificar se os valores financiaram outras iniciativas de aliados de Jair Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump.

Rodrigues disse que a área técnica da corporação entende que o caso deve tramitar de forma separada das investigações já relacionadas ao Banco Master. Para a PF, os fatos novos exigem análise específica, inclusive sobre possíveis articulações no exterior e eventual coação no curso de processos em andamento.

Possíveis caminhos no STF

O diretor-geral apontou três possibilidades para o andamento da investigação no Supremo. A primeira seria a incorporação aos procedimentos já ligados ao Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça. A segunda seria a vinculação ao inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A terceira hipótese é a distribuição do caso por sorteio a outro ministro da Corte.

O episódio ganhou repercussão após reportagem do Intercept Brasil revelar o financiamento do filme com recursos associados ao dono do Banco Master. Segundo a apuração, os valores teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações para um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Negativas e contexto do caso

Em nota, Flávio Bolsonaro disse ser falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro. O senador afirmou que os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, mudou-se para os Estados Unidos alegando perseguição por parte de Alexandre de Moraes e já relatou dificuldades financeiras após bloqueio de contas bancárias. No STF, ele é réu em ação penal relatada por Moraes, com denúncia da PGR que o acusa de atuar para buscar sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras com o objetivo de interferir no julgamento de Jair Bolsonaro.