INFORME JB
Flávio Bolsonaro enfrenta pressão no PL após mensagens de proximidade com Daniel Vorcaro
Por POLÍTICA JB
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Publicado em 14/05/2026 às 07:02
Alterado em 14/05/2026 às 08:43
Flavio Bolsonaro pode perder o mandato Foto: Folhapress / Mateus Bonomi
A revelação de mensagens que mostram proximidade entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, após o pré-candidato afirmar publicamente e a aliados que não tinha relação com o ex-banqueiro, provocou forte sensação de quebra de confiança dentro do Partido Liberal (PL).
O clima entre apoiadores da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro é de apreensão diante da possibilidade de surgirem novos diálogos comprometendo ainda mais o senador e seu entorno.
Lideranças do partido avaliam que o "pedido de financiamento" para o filme "Dark Horse" (azarão, em tradução livre), revelado pelo portal Intercept Brasil, o mesmo que revelou a "operação Vaza Jato", é menos grave do que o caso envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de operação da Polícia Federal (PF) por suposto recebimento de pagamentos mensais do Banco Master, mas será preciso provar que o dinheiro foi mesmo usado no filme, pois a produtora nega ter recebido. Além disso, as investigações mostram que parte desses recursos foi parar no Texas, rumo a Eduardo Bolsonaro.
O ponto crítico, dizem aliados, foi Flávio ter negado qualquer vínculo com Vorcaro, com risada nervosa na frente do STF, de onde saía após audiência com o presidente Fachin, apesar de áudios e mensagens - que já circulavam e ele não sabia - mostrarem intimidade entre ambos.
Para correligionários, se Flávio tivesse informado previamente sobre o "pedido de financiamento", a campanha poderia ter preparado uma resposta coordenada caso a delação viesse à tona. O fato de todos terem sido pegos de surpresa ampliou o desgaste e dificultou a reação nas redes, alimentando suspeitas internas sobre o que mais poderia ter sido omitido.
Um deputado do PL afirmou que o senador deveria ter se antecipado ao escândalo do Master, revelando espontaneamente o acordo para financiar o filme e apresentando o contrato como prova de transparência. A ausência de aviso, mesmo a um grupo restrito, é vista como erro estratégico que agravou a crise.
Outra dúvida é a de se há mesmo um contrato de patrocínio referente à negociação, ou se tudo se deu como uma operação entre amigos "irmãos"...
Entre aliados, cresce a percepção de que será difícil reverter a imagem de "mentiroso" perante parte do eleitorado. Muito embora os mais radicais que bebem até detergente já estejam defendendo o senador nas redes sociais.
Internamente no partido, a quebra de confiança é considerada irreversível, com a sensação de que, se Flávio escondeu esse episódio, outros ainda podem surgir — o que mantém a pré-campanha em estado de alerta, conta um coleguinha em outro jornal.
Apesar disso, a avaliação predominante é a de que o caso tende a gerar desgaste, mas pode perder força até outubro, especialmente se outros políticos forem implicados no escândalo.
Por ora, a manutenção da pré-candidatura é tratada como certa, embora parlamentares menos próximos à cúpula temam que novas revelações forcem o PL a buscar substitutos, como Romeu Zema (Novo).
Zema, aliás, já caiu em desgraça entre os bolsonaristas mais ferrenhos, por ter sido o primeiro a chutar cachorro morto em plena praça pública.
As reações no campo da direita variaram. O ex-governador mineiro classificou a atitude de Flávio como "imperdoável", enquanto Ronaldo Caiado (PSD), o melífluo, cobrou explicações, mas depois defendeu que a centro-direita não pode se dividir e deve priorizar derrotar o Partido dos Trabalhadores (PT) no segundo turno. Já aliados mais próximos de Flavio minimizam o episódio, afirmando que não houve ilegalidade e que o Master operava com aval do Banco Central.
Ainda de acordo com aquele coleguinha de outro jornal, integrantes da campanha insistem em atribuir a crise a um suposto vazamento seletivo da PF e a uma estratégia de "assassinato de reputações" por parte do PT. Como se não soubessem - dizemos nós deste Informe - que à frente da investigação está (in) justamente o ex-parceiro de Planalto e Alvorada, o "terrivelmente evangélico" Mendonça, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, hoje poderoso ministro do STF.
(aliás, neste capítulo, cabem aqui uns parêntesis: Mendonça se dirá "suspeito" para julgar o caso, ou terá aquilo roxo para, se for o caso, autorizar a prisão de Flavio, caso haja motivo e pedido da PGR ou Polícia Federal? Cartas para a redação)
Para os fiéis bolsonaristas, era esperado que Flávio se tornasse alvo do que consideram uma "máquina de propaganda negativa do governo federal", reforçando a narrativa de "perseguição política".
Em todo caso, vale ressaltar que Boulos e Lindberg já pediram a cassação do mandato de Flavio no Senado.
Quem viver verá.
(com Sputnik Brasil)