Os especialistas em pele concordam em três números. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda protetor solar com fator de proteção solar (FPS) de no mínimo 30, reaplicação a cada duas horas e uma quantidade equivalente a uma colher de chá rasa para cobrir o rosto. Uma camada fina passada só de manhã, antes de sair de casa, fica longe disso.
FPS 30, duas horas e uma colher de chá: o resumo da SBD
As três regras aparecem no Consenso Brasileiro de Fotoproteção, publicado pela SBD em 2014 na revista Anais Brasileiros de Dermatologia e apresentado como o primeiro documento oficial sobre fotoproteção feito no Brasil para brasileiros. As orientações para o público estão na página de cuidados diários com a pele do site da entidade:
- FPS: usar sempre protetor com fator de proteção 30 ou maior.
- Quantidade: o equivalente a uma colher de chá rasa para o rosto e três colheres de sopa para o corpo, espalhadas por igual.
- Reaplicação: ao longo do dia, a cada duas horas, quando há muita transpiração ou exposição prolongada ao sol.
- Frequência: todos os dias, mesmo com tempo frio ou nublado, porque a radiação ultravioleta atravessa as nuvens.
O consenso abre exceções nos dois sentidos. FPS mais alto é indicado para quem tem mais sensibilidade ao sol, histórico pessoal ou familiar de câncer de pele ou passa muito tempo exposto por trabalho ou lazer. Protetores abaixo de 30 podem ser indicados em situações especiais, como para pessoas afrodescendentes, a critério do dermatologista.

A regra da colher de chá divide o corpo em partes
A medida existe porque quase ninguém passa o suficiente. O FPS impresso na embalagem é calculado em laboratório com 2 miligramas de produto por centímetro quadrado de pele, e o consenso registra que, no uso real, as pessoas aplicam de 30% a 50% dessa quantidade. Com menos produto, a proteção de verdade cai bem abaixo do número do rótulo.
Para um adulto de 70 quilos e 1,70 metro, cobrir o corpo inteiro exige de 35 a 40 gramas de protetor, segundo o documento. Para chegar perto disso sem balança, a SBD propõe a regra da colher de chá:
- uma colher de chá para a cabeça, que inclui rosto e pescoço;
- uma colher de chá para cada braço;
- duas colheres de chá para a frente do tronco e duas para as costas;
- duas colheres de chá para cada perna.
A alternativa aceita pelo consenso é passar o produto em duas camadas seguidas, o que dobra a quantidade aplicada. Em texto publicado no site da SBD em 2019, a dermatologista Cláudia Alcântara, então diretora da entidade, resumiu a dica como “passar o filtro duas vezes no corpo inteiro”.
Reaplicar a cada duas horas é a regra geral, e mergulho exige nova camada
O protetor perde efeito ao longo do dia com o suor, o atrito da roupa e da toalha e o contato com a água. Como essa perda varia de produto para produto e de pessoa para pessoa, o consenso adota o intervalo de duas horas como recomendação geral para a população, e pede reaplicação também depois de períodos longos dentro da água. O fabricante pode indicar outro intervalo, desde que comprovado em testes específicos.
A primeira aplicação merece mais cuidado que as outras. A SBD orienta passar o produto pelo menos 15 minutos antes de se expor ao sol, de preferência sem roupa ou com o mínimo possível, para não deixar áreas descobertas. Esse intervalo pode ser dispensado quando a embalagem informa proteção imediata.
Na praia, na piscina e em esportes ao ar livre, o consenso indica produtos resistentes à água. Mesmo assim, o teste que dá esse selo aceita perda de até metade do FPS depois da imersão, por isso a nova camada continua necessária.
O protetor sozinho não basta, segundo os dermatologistas
Para a SBD, nenhuma medida isolada garante proteção adequada. O consenso recomenda evitar o sol entre 10h e 15h e ampliar esse período no verão: a restrição começa às 9h no Nordeste e vai até as 16h no Centro-Oeste. Em suas orientações para o verão, a entidade fala em evitar a exposição entre 10h e 16h. Chapéu de aba larga, camisa de manga comprida, óculos escuros e sombra completam a proteção.
A preocupação tem base. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele não melanoma é o mais comum no Brasil. Ainda assim, uma pesquisa da SBD citada no texto de 2019 apontou que apenas 23% dos brasileiros usavam o protetor da maneira recomendada pelos médicos. Sobre os boatos que circulam na internet, Cláudia Alcântara afirmou: “Há muita especulação sobre os compostos do bloqueador, mas nenhuma pesquisa até hoje mudou nossa recomendação de uso”.
Como acertar a dose no dia a dia
- Confira no rótulo o FPS, que deve ser de 30 ou mais, e a proteção contra raios UVA, indicada pelo PPD.
- Meça uma colher de chá rasa de produto para o rosto até pegar o jeito de quanto ela representa na palma da mão.
- Aplique em casa, pelo menos 15 minutos antes de sair, incluindo orelhas, nuca, mãos e pés.
- Leve o protetor na bolsa e reaplique a cada duas horas sob o sol, e sempre depois de nadar ou suar muito.
- Em dias nublados, mantenha o uso: a radiação ultravioleta continua chegando à pele.
A escolha do produto, do FPS e da textura depende do tipo de pele e da rotina de cada pessoa, e por isso vale buscar um dermatologista ou outro profissional de saúde para orientação individual.
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Informações conferidas em 19 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



