POLÍCIA

PF rejeita segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro

Investigadores da Polícia Federal consideraram o material insuficiente para justificar um acordo

Por JB JURÍDICO
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Publicado em 11/06/2026 às 21:10

Alterado em 11/06/2026 às 21:10

Daniel Vorcaro negocia delação, mas aparenta querer proteger figurões da República Agência Brasil

A Polícia Federal rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão foi comunicada ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também à defesa do empresário.

Segundo os investigadores, o material entregue não trouxe informações novas em relação ao que já havia sido reunido na apuração. Parte das declarações, de acordo com a avaliação da PF, repetia provas já obtidas, inclusive a partir do celular do próprio Vorcaro.

Primeira tentativa já havia sido recusada

Esta não foi a primeira vez que a colaboração premiada do banqueiro encontrou resistência. Em 20 de maio, a proposta inicial já havia sido rejeitada pela Polícia Federal. Na ocasião, a Procuradoria-Geral da República (PGR) demonstrou interesse em continuar as negociações e receber complementos.

Depois disso, Vorcaro trocou sua equipe de defesa, reformulou a estratégia e apresentou novos anexos com informações aprofundadas. Mesmo assim, os investigadores concluíram que a segunda versão também não apresentava elementos suficientes para avançar.

PF viu tentativa de proteger aliados

De acordo com a apuração, a nova proposta foi vista como uma tentativa de delação seletiva. Os investigadores entenderam que o banqueiro buscava preservar aliados ao alterar trechos e enquadrar certos repasses de outra forma.

Como mostrou o Estadão, um dos anexos sobre pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi modificado. Antes descrito com base em uma relação de amizade, o conteúdo passou a tratar os repasses como propina, mas isso não teria sido suficiente para convencer a Polícia Federal.

PGR ainda analisa o caso

Enquanto a PF já manifestou recusa, a Procuradoria-Geral da República ainda analisa a proposta de colaboração e não deu uma resposta formal até o momento. O impasse mantém em aberto o futuro da tentativa de delação do dono do Banco Master.

O caso se soma a outras frentes de apuração que envolvem o banqueiro, como a investigação sobre Dark Horse, o parecer da PF sobre Flávio Bolsonaro e os desdobramentos de um pedido de inclusão de Jair e Flávio Bolsonaro em outro inquérito no STF.

Nos bastidores políticos, a pressão sobre o caso também alcança Tarcísio de Freitas e a relação de aliados com Vorcaro, em meio à crise aberta por suas mensagens com o senador Flávio Bolsonaro.

Entre os desdobramentos judiciais, o Supremo Tribunal Federal também passou a concentrar outras discussões ligadas ao Banco Master, como a tentativa de suspensão analisada por Edson Fachin e a disputa sobre a relatoria do processo em que Vorcaro tentou levar o caso a Nunes Marques.

As apurações também se conectam à transferência de Vorcaro para a carceragem da PF e a suspeitas mais amplas sobre o destino de recursos ligados ao Banco Master.

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