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E começa o jogo político no TSE. O VAR conterá o árbitro?

Ministro Kássio viu indícios de indução nas perguntas e determinou a suspensão da divulgação do levantamento que mostra queda de Flavio Bolsonaro após caso Vorcaro-Dark Horse

Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 08/06/2026 às 16:07

Alterado em 08/06/2026 às 18:55

O ministro Nunes Marques Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Causou muxoxos nos meios políticos de esquerda a decisão do ministro Nunes Marques, de derrubar o resultado de uma pesquisa eleitoral que mostra queda de 5 pontos do senador Flavio Bolsonaro na corrida presidencial. O apanhado foi divulgado após o parlamentar ter sido gravado com a boca na botija do Vorcaro, amealhando alguns milhões de dólares  - diz o candidato, sem provar - para produzir um filme que contará a vida do ex-presidente.

Na decisão, a pedido do Partido Liberal, que emprega todo o clã Bolsonaro, ao qual o ministro deve sua indicação a todo poderoso ministro do STF, doutor Kássio concorda com a alegação do autor, de que não se tem certeza de que o grampo telefônico descoberto pela Polícia Federal no telefone de Daniel Vorcaro seja autêntico, confundindo matéria de cunho cível com matéria eleitoral.

A pesquisa suspensa foi feita pela AtlasIntel, e o estudo aponta queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL). 

Com a medida, o instituto fica impedido de manter os resultados do levantamento em seus canais oficiais até que o caso seja apreciado pelos demais ministros. O questionamento envolve principalmente a metodologia usada na pesquisa e a forma como o questionário foi estruturado para os entrevistados.

PL aponta possível indução nas respostas

Na ação apresentada ao TSE, o Partido Liberal afirmou que o questionário teria sido elaborado de modo a induzir respostas negativas sobre o senador. Segundo a legenda, das 49 perguntas feitas, oito tratavam diretamente do Banco Master e apareciam em sequência, o que poderia influenciar a percepção dos participantes antes da pergunta sobre intenção de voto.

O partido também alegou que houve uma progressão temática nas perguntas, passando por disputa eleitoral, comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro, supostas fraudes financeiras, Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro, conversas vazadas, possível envolvimento do senador e eventual impacto dessas questões sobre a candidatura. Outro ponto contestado foi o uso de um áudio durante a pesquisa, material cuja autenticidade, segundo o PL, não teria sido comprovada.

O que motivou a decisão do TSE

Ao fundamentar a suspensão, Nunes Marques afirmou que a metodologia poderia ultrapassar a função informativa de uma pesquisa eleitoral. Para o ministro, a forma como o levantamento foi formulado pode ter criado contexto e narrativas de campanha com base em estímulo negativo, desvirtuando o objetivo de medir a opinião do eleitor.

O magistrado destacou ainda que a controvérsia não se limita a divergências metodológicas comuns, mas envolve a possibilidade de uso do questionário como mecanismo de indução do entrevistado. Segundo ele, outras 27 pesquisas da AtlasIntel não adotaram estrutura semelhante nem recorreram à veiculação de áudio durante as entrevistas.

Detalhes do levantamento e resposta da AtlasIntel

A pesquisa contestada ouviu 5.032 eleitores em todo o país entre os dias 13 e 18 de maio. De acordo com o instituto, a margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.

Em nota enviada à imprensa, a AtlasIntel afirmou que vai respeitar a decisão do TSE e disse estar colaborando com a Justiça Eleitoral, fornecendo todos os esclarecimentos metodológicos solicitados. O instituto nega qualquer indução e afirma que o material alvo da controvérsia não foi reproduzido durante a aplicação do questionário principal.

Segundo a AtlasIntel, os participantes responderam integralmente à pesquisa antes de qualquer contato com o conteúdo audiovisual. Somente após o encerramento definitivo do questionário, sem possibilidade de retorno às perguntas anteriores ou alteração das respostas já registradas, os respondentes eram direcionados para uma página separada, onde poderiam participar de um teste de reação ao áudio por meio da ferramenta Atlas VRC.

O caso segue em análise e a decisão individual do ministro ainda precisa ser referendada pelo plenário do TSE.

Aguardemos a decisão do VAR.

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