Matéria publicada nesta quinta-feira (1) pelo jornal Financial Times aponta que o espetáculo no Senado do Brasil não foi nenhuma demonstração de nobreza civil. Dezenas de legisladores acusados ??de corrupção pessoal votaram pela remoção da presidente Dilma Rousseff, que em cinco anos de governo não foi acusado de enriquecimento elícito.
A reportagem do jornal britânico analisa que sua partida foi provavelmente o melhor resultado disponível para um país que busca se recuperar de um avassalador escândalo político e sua pior recessão em um século.
O Financial Times acrescenta que apesar das insistente retórica de golpe, o processo foi legal, politicamente legítimo e abre caminho para reformas que o Brasil necessita desesperadamente.
O diário conta que Dilma Rousseff, que raramente recua da demagogia populista, vem denunciando o impeachment como "golpe" comparável ao que aconteceu em 1964, quando militares tomaram o lugar de outro presidente de esquerda chamado João Goulart.
De acordo com o texto do Financial Times, pode-se dizer com certeza absoluta que sua saída não diz respeito a violações fiscais. Alguns legisladores foram motivados a retira Dilma da presidência para interromper as investigações de corrupção no caso lava Jato, que envolve centenas de políticos, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o que realmente afundou a presidente foi sua má gestão da economia.
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