MUNDO
Crise do Ueno Bank leva ao impeachment e à prisão de Santiago Peña
Por JB INTERNACIONAL
[email protected]
Publicado em 06/11/2026 às 20:44
Alterado em 06/11/2026 às 21:03
Santiago Peña Foto: Reuters/Cesar Olmedo
O Congresso do Paraguai aprovou o impeachment do então presidente Santiago Peña após o avanço da crise provocada pelo Ueno Bank. Segundo os parlamentares, a destituição foi motivada por abuso de poder, em uma votação que já havia passado pela Câmara dos Deputados e foi confirmada no Senado por ampla maioria.
Com a decisão, o presidente do Senado, Basilio Núñez, declarou que Peña estava destituído do cargo de presidente da República do Paraguai. O processo ganhou velocidade em meio à forte pressão política e social causada pelos desdobramentos da crise bancária no país.
Renúncia rejeitada para evitar foro privilegiado
Antes da votação final, Santiago Peña havia anunciado a renúncia ao cargo em uma publicação nas redes sociais, dizendo que queria evitar mais danos ao país e contribuir para a tranquilidade institucional. No entanto, o Congresso rejeitou a saída voluntária, pois a legislação local poderia garantir a ele um cargo vitalício no Senado, com foro privilegiado.
Ao optar pelo impeachment, os parlamentares impediram que a renúncia tivesse esse efeito jurídico. Assim, Peña perdeu a proteção que poderia obter ao deixar o cargo por iniciativa própria e passou a responder à crise sob outra condição legal.
Crise do Ueno Bank e impacto nacional
A crise começou depois que o Banco Central do Paraguai anunciou o fechamento do Ueno Bank, ao detectar um nível de solvência abaixo de 50% do mínimo exigido por lei. A medida deixou milhões de clientes sem acesso às contas e provocou protestos em várias regiões do país.
Cerca de 3 milhões de clientes foram atingidos pelos efeitos do colapso financeiro. O episódio ampliou a instabilidade política e alimentou questionamentos sobre a condução do caso pelo governo.
Prisão domiciliar e posse interina
Após o impeachment, a Justiça decretou a prisão de Santiago Peña poucos minutos depois da decisão do Senado. O ex-presidente foi detido em casa e, de acordo com o portal ABC, ficará em prisão domiciliar.
Com a saída de Peña, o vice Pedro Alliana assumiu provisoriamente a Presidência do Paraguai. Em sua última manifestação pública, Peña afirmou que o país precisava se unir para reconstruir a institucionalidade e recuperar a confiança da sociedade.