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Carlos Carvallo renuncia ao comando do Banco Central do Paraguai

Mesmo após deixar o cargo, ele continuará atuando enquanto os procedimentos envolvendo o Ueno Bank são conduzidos pelas autoridades

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 04/11/2026 às 11:21

Alterado em 04/11/2026 às 11:23

Carlos carvalho, agora ex-presidente do BC paraguaio Foto: reprodução

O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia após o anúncio de um procedimento de resolução para o Ueno Bank. A medida foi tomada depois da identificação de um déficit no índice de solvência do banco digital, o que aumentou a preocupação de clientes e do mercado financeiro.

Carvallo disse que permanecerá no cargo enquanto os procedimentos relacionados ao Ueno Bank forem conduzidos. Segundo ele, o afastamento ajuda a reduzir a controvérsia em torno do Banco Central e permite que a Superintendência de Bancos trabalhe sem interferências políticas ou midiáticas.

Clientes buscam acesso ao dinheiro

Com as agências fechadas, clientes do Ueno, incluindo aposentados que recebem benefícios por meio da instituição, foram às portas das unidades em busca de respostas. A incerteza sobre o futuro do banco se aprofundou ao longo do dia, gerando apreensão entre correntistas que tentavam sacar recursos e entender a situação.

O banco, controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, reúne cerca de 3 milhões de clientes e administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai. Sua expansão rápida o colocou em posição de destaque no mercado local, mas também aumentou o escrutínio sobre sua gestão e suas práticas de crédito.

Pressão sobre autoridades e investigação criminal

Além da renúncia, o caso ganhou peso com o pedido do Ministério Público do Paraguai para abertura de uma investigação criminal. Nos últimos meses, o Ueno vinha sendo alvo de questionamentos regulatórios por supostas concessões excessivas de crédito a empresas ligadas ao Grupo Vázquez.

Essas suspeitas afetaram a confiança de investidores e atingiram tanto os títulos em dólares do banco, com vencimento em 2031, quanto os títulos soberanos do país. O episódio passou a testar a reputação do Paraguai como destino de capital estrangeiro na América do Sul.

Garantias aos depositantes e impacto no sistema

O Banco Central informou que o procedimento de resolução busca proteger depositantes e preservar a estabilidade financeira. A autoridade também destacou que o caso é isolado e não representa, por enquanto, um problema mais amplo no sistema bancário paraguaio.

Segundo o órgão, a lei de garantia de depósitos assegura o pagamento de até 75 salários mínimos, cerca de US$ 39 mil, e os aposentados também terão seus pagamentos garantidos. Mesmo assim, a crise deixou em evidência a sensibilidade do mercado e a pressão sobre a regulação bancária no país. (reportagem ampliada com informações  da Agência Brasil)

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