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Fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil ganha atenção de jornais estrangeiros
Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 28/10/2026 às 07:09
Alterado em 28/10/2026 às 09:25
Flávio Bolsonaro no The New York Times: 'A Polícia Federal brasileira havia solicitado a entrega de seus passaportes devido ao seu envolvimento em uma investigação' Imagem: reprodução
A fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil, após a derrota no segundo turno, ganhou destaque em veículos da imprensa internacional. Jornais dos Estados Unidos, da Argentina, do Reino Unido, da Espanha e da Alemanha trataram do episódio e associaram a movimentação do senador à decisão judicial que determinou a entrega de seus passaportes.
Segundo os relatos, Flávio está nos Estados Unidos com a mulher e as duas filhas. O Departamento de Estado norte-americano informou que concederá vistos ao senador e à família, o que ampliou a repercussão do caso fora do país.
Decisão judicial e investigação no STF
A ordem para entrega dos passaportes foi determinada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio foi intimado a apresentar os documentos em 24 horas, prazo que venceu sem cumprimento, levando a Polícia Federal a comunicar o descumprimento ao ministro Alexandre de Moraes e a cancelar o registro dos passaportes em seu sistema de controle.
O senador nega irregularidades e afirma que a medida representa uma tentativa de intimidação. A apuração, revelada pelo Estadão em 18 de outubro, corre no Supremo Tribunal Federal e envolve suspeitas relacionadas ao uso de uma empresa de apostas esportivas.
Modelo bolsonarista
A fuga de Flávio repete uma trajetória já adotada por outros integrantes do bolsonarismo. Entre eles estão o irmão e ex-deputado (PL-RJ) Eduardo Bolsonaro, que teve o mandato cassado por excesso de faltas, a ex-deputada (PL-SP) que também teve o mandato cassado Carla Zambelli, o ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal (PL-RJ) Alexandre Ramagem e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, todos alvos de investigações ou condenações judiciais.
Eduardo Bolsonaro foi o primeiro a deixar o país, em março de 2025. Instalado nos Estados Unidos, buscou apoio do governo de Donald Trump contra Alexandre de Moraes e acabou protagonizando uma série de posts nas redes sociais em que reclamava para si responsabilidade pelo tarifaço contra o Brasil, comemorando as medidas de Washington, em especial as sanções a autoridades por intermédio da Lei Magnitsky.
Repercussão política e internacional
O The New York Times afirmou que a assistência do governo dos EUA a Flávio Bolsonaro pode aumentar as tensões entre a administração Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já o La Nación indicou que fontes próximas ao senador apontam envolvimento direto dos Estados Unidos em sua saída do Brasil.
O The Guardian lembrou declarações de Eduardo Bolsonaro e citou que Flávio possui cidadania italiana desde 2023, enquanto o El País destacou que ele se recusou a aceitar a vitória de Lula. A Deutsche Welle também mencionou a investigação e lembrou que o senador pode perder a imunidade parlamentar ao fim do mandato, em 2027. (reportagem ampliada com informações da Agência Estado e da Sputnik Brasil)