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EUA classificam facções brasileiras como terroristas e aumentam tensão

Decisão de Donald Trump gera reação do governo brasileiro e pode trazer impactos econômicos, diplomáticos e geopolíticos ao país

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 05/06/2026 às 12:18

Alterado em 05/06/2026 às 12:18

A decisão do governo de Donald Trump de classificar facções criminosas do Brasil como organizações terroristas passou a valer nesta sexta-feira (5) e abriu uma nova frente de tensão entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro criticou a medida e afirmou que ela pode ser usada como justificativa para interferência em assuntos internos, sob a bandeira do combate ao terrorismo.

Para o Palácio do Planalto, o enfrentamento ao crime organizado deve ocorrer por meio de cooperação internacional, mas sempre com respeito à soberania dos Estados. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil também avaliam que a iniciativa amplia riscos políticos e pode servir de pretexto para pressões externas contra o país.

Risco de interferência e impacto geopolítico

A classificação das facções como terroristas ocorre em um contexto de endurecimento da política externa norte-americana na América Latina. Nos últimos meses, o governo Trump também passou a enquadrar cartéis mexicanos e organizações criminosas de países como Venezuela, Equador e Colômbia na mesma categoria, como parte de uma estratégia mais ampla de influência regional.

Segundo a análise de especialistas, essa abordagem pode limitar a margem de autonomia de países da região e abrir espaço para medidas políticas e diplomáticas mais agressivas. A Casa Branca também tem associado o combate ao narcotráfico a interesses geopolíticos mais amplos, incluindo o isolamento de adversários como China e Rússia.

Pressão comercial e críticas ao Pix

Além da medida sobre terrorismo, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA recomendou a imposição de tarifas de 25% sobre importações brasileiras, sob alegação de práticas comerciais desleais. O documento ainda critica o Pix, afirmando que o sistema prejudicaria empresas norte-americanas de pagamento, como Visa, Mastercard e Whatsapp Pay.

No dia seguinte, o governo Trump também anunciou a intenção de taxar importações de 60 países, incluindo o Brasil, em tarifas adicionais de 10% ou 12,5%, sob a justificativa de combate a produtos feitos com trabalho forçado. O governo brasileiro contesta os argumentos e vê nas medidas uma estratégia protecionista unilateral.

Possíveis efeitos econômicos e resposta brasileira

Autoridades e especialistas alertam que a escalada pode afetar turismo, investimentos, comércio exterior e o sistema financeiro brasileiro. A preocupação é que a combinação de sanções políticas e barreiras comerciais gere insegurança para empresas e amplie os custos de relação com o mercado americano.

O Itamaraty afirma que o Brasil pode acionar os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade, que permite resposta a barreiras unilaterais impostas por outros países ou blocos. A expectativa do governo é preservar o espaço de negociação internacional sem abrir mão da soberania nacional.