A mensagem chega no celular avisando que a sua encomenda está retida e que só será liberada depois do pagamento de uma taxa, com um link para resolver tudo na hora. Os Correios afirmam que não enviam mensagens com links diretos para pagamento nem pedem dados pessoais ou financeiros por e-mail, SMS ou WhatsApp. No boleto, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) orienta conferir o nome e o CPF ou CNPJ do beneficiário que aparece na tela do banco antes de concluir o pagamento.
O que conferir antes de pagar qualquer cobrança:
- Endereço do site: as páginas oficiais dos Correios terminam em correios.com.br.
- Rastreio: consulte a encomenda digitando o endereço no navegador ou pelo aplicativo oficial, nunca por link recebido.
- Beneficiário do boleto: o nome e o CPF ou CNPJ mostrados pelo banco precisam ser de quem está cobrando.
- Código do banco: os três primeiros dígitos do código de barras correspondem ao banco que aparece no boleto.
- Se pagou por Pix: conteste no aplicativo do banco em até 80 dias para acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED).
Os Correios não cobram taxa por link enviado em mensagem
A página de segurança dos Correios descreve como são as comunicações oficiais da empresa. O SMS é usado apenas para informar pendência de informações ou necessidade de pagamento de taxas de objetos internacionais, e mesmo assim orienta o cliente a concluir o pagamento nos canais oficiais, o site ou o aplicativo. Os e-mails de novidades saem sempre do endereço [email protected].
Sobre o WhatsApp, a frase da empresa é curta: “Não solicitamos dados pessoais nem entramos em contato pelo whatsapp.” E sobre o tipo de mensagem mais comum no golpe, o alerta é direto: “Desconfie de mensagens que prometem desbloqueio de objetos ou cobram taxas por links externos.”
Para saber onde está um pacote de verdade, o caminho é abrir o navegador e digitar o endereço. O rastreamento oficial aceita um CPF, um CNPJ ou até 20 códigos de rastreio. Os Correios lembram que sites que não terminam em correios.com.br podem ser golpe e citam como exemplos corretos rastreamento.correios.com.br e saladeimprensa.correios.com.br. Outros sinais de mensagem falsa apontados pela empresa são remetente que não corresponde à organização que diz representar e erros de ortografia, gramática ou formatação.
No boleto, o beneficiário que aparece na tela do banco é o que decide

No alerta sobre o golpe do falso boleto, a Febraban explica que os criminosos “falsificam boletos e colocam seus dados bancários para que recebam o crédito do documento de pagamento”. A orientação é conferir com atenção os dados do beneficiário, como CPF ou CNPJ do emissor, data de vencimento e valor.
O ponto central é a tela de confirmação. Em qualquer canal (caixa eletrônico, aplicativo ou internet banking), o banco mostra quem vai receber o dinheiro antes de concluir a operação. Segundo a Febraban, se a conta não pertencer ao beneficiário correto, o cliente não deve concluir o pagamento e, em caso de dúvida, deve procurar o SAC da empresa que fez a cobrança.
A cartilha sobre fraudes bancárias dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo acrescenta um teste rápido: “Os primeiros três dígitos do código de barras devem corresponder aos do banco que aparece no boleto.” O material alerta que os falsificadores copiam estruturas, cores e até logomarcas de empresas e bancos, por isso a aparência do documento não basta.
Outra proteção é o Débito Direto Autorizado (DDA). Na cartilha do DDA, a Febraban explica que o recurso reúne no aplicativo ou no internet banking os boletos registrados no CPF ou CNPJ do cliente. Ao comparar a cobrança recebida com a que aparece no DDA, fica mais fácil notar um boleto que não foi emitido por quem diz ter emitido.
Quem pagou por Pix tem até 80 dias para pedir o MED
Se o golpe terminou num Pix, o Banco Central (BC) orienta, na página de segurança do Pix, a entrar no aplicativo da instituição e contestar a transação imediatamente. É isso que aciona o MED, ferramenta do Pix para tentar recuperar valores enviados a fraudadores. Todas as instituições devem oferecer o serviço pelo aplicativo, e o pedido pode ser feito em até 80 dias após a transação.
Com o MED aberto, os recursos na conta de quem recebeu são bloqueados temporariamente e o caso é analisado pelas instituições envolvidas. O BC avisa, porém, que “O MED não garante a devolução”: o dinheiro volta, de forma integral ou parcial, só se a fraude for confirmada e houver saldo na conta do fraudador ou de outros envolvidos. Por isso, quanto antes a contestação for feita, maiores as chances. Se o banco não resolver, cabe reclamação ao próprio Banco Central.
O que fazer logo depois de cair no golpe
A cartilha dos Ministérios Públicos lista os passos para quem foi vítima de fraude bancária:
- Banco: contate a instituição imediatamente, informe o ocorrido e conteste a operação, dizendo que foi vítima de fraude.
- Registro: anote os detalhes do atendimento do banco e do golpe; guarde a mensagem, o link, o boleto e o comprovante.
- Boletim de ocorrência: relate todos os detalhes à polícia. Em vários estados, a Polícia Civil aceita o registro pela delegacia eletrônica.
- Bloqueio: bloqueie a conta ou o cartão de crédito, se necessário.
Quem recebeu a mensagem falsa em nome dos Correios também pode avisar a empresa. O canal de denúncias recebe relatos pela internet, de forma identificada ou anônima, e pelos telefones 4003 8210 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 881 8210 (demais localidades).
A regra que vale para os dois golpes é a mesma: a pressa favorece o criminoso. Antes de pagar uma taxa de encomenda ou um boleto inesperado, vale gastar alguns segundos para ir ao canal oficial por conta própria e conferir quem vai, de fato, receber o dinheiro.
Informações conferidas em 8 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



