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Seu dinheiro

Caiu no golpe do Pix e achou que o dinheiro estava perdido: o botão no app do banco que pede a devolução, e o prazo que pouca gente conhece

Regras do Banco Central obrigam o app a ter função de contestação do Pix; o pedido vale por 80 dias e o MED 2.0 rastreia o dinheiro em outras contas.

by Joao Victor
22/10/2026
in Seu dinheiro
[email protected]

Publicado em 22/10/2026 às 07:00

Celular mostra uma transferência Pix suspeita.

Celular mostra uma transferência Pix suspeita. Imagem gerada por IA.

Alterado em 22/10/2026 às 07:00

Celular mostra uma transferência Pix suspeita. Imagem gerada por IA.

Uma mensagem com a foto do filho, um número novo e o pedido urgente de R$ 1.500 para pagar uma conta: o Pix sai em segundos, e a ligação para o número antigo, meia hora depois, desmonta a história (a cena é um exemplo, mas o roteiro é comum). Para esse tipo de golpe, as regras do Banco Central (BC) obrigam todo aplicativo com Pix a ter uma função de contestação ligada ao Mecanismo Especial de Devolução (MED), que vale para transações feitas nos últimos 80 dias. Quanto mais cedo o pedido, maior a chance de ainda haver dinheiro para bloquear.

  • Onde pedir: no ambiente Pix do aplicativo do seu banco, pela opção de contestar o Pix.
  • Prazo: até 80 dias contados da data da transferência.
  • Para quê: golpe, fraude ou crime, além de cobrança indevida no Pix Automático.
  • Resultado: se o pedido for considerado procedente e houver saldo nas contas envolvidas, o dinheiro volta em até 11 dias.
  • Fora do MED: Pix para a pessoa errada, briga comercial e arrependimento.

O botão de contestação é obrigatório no ambiente Pix dos aplicativos

A página de segurança no Pix do Banco Central resume a regra: a vítima de golpe deve acionar o MED pelo aplicativo da sua instituição o mais rápido possível, e todas as instituições devem oferecer esse serviço pelo app. O pedido pode ser feito em até 80 dias após a transação.

O detalhe está no manual Requisitos Mínimos para a Experiência do Usuário, que faz parte do regulamento do Pix. Na versão 7.3, de dezembro de 2025, o capítulo Autoatendimento MED exige que o ambiente Pix tenha uma função para contestar transações e para consultar as contestações já registradas. O atalho para o canal de reclamações do banco também precisa levar a essa função.

Pessoa solicita a contestação da transferência Pix.
Pessoa solicita a contestação da transferência Pix. Imagem gerada por IA.

A contestação começa no extrato e pede o tipo de golpe sofrido

Pelo manual do BC, o caminho no aplicativo segue estas etapas:

  • Escolha da transação: o cliente é levado ao extrato e seleciona o Pix que quer contestar. Se a transferência tiver mais de 80 dias, o app deve avisar que o prazo do MED acabou.
  • Tipo de fraude: o cliente indica o que aconteceu, entre opções como ter sido enganado por um golpista, ter tido recursos transferidos sem o seu conhecimento, ter sido ameaçado para fazer a transação ou ter tido a senha usada por um fraudador.
  • Relato: em outro tipo de golpe, o banco pede uma descrição de até 2.000 caracteres.
  • Documentos: o app pode pedir provas complementares, como o boletim de ocorrência, na hora ou depois, pela consulta de contestações.
  • Comprovante: ao final, o banco informa o número de protocolo, a data e o horário do registro e o prazo máximo para dizer se aceitou ou recusou o pedido.

Ao registrar a contestação, o banco deve abrir imediatamente o pedido de recuperação de valores, e a instituição de quem recebeu o Pix é avisada da suspeita de fraude. Pelo texto-modelo do manual, em até 11 dias, se a solicitação for considerada procedente e houver recursos na conta do recebedor ou em outras contas envolvidas, o dinheiro volta para a vítima.

O MED 2.0 rastreia o dinheiro que passou por outras contas

O golpista costuma espalhar o valor por várias contas em poucos minutos. Para enfrentar isso, a Resolução BCB nº 493, de 28 de agosto de 2025, criou a funcionalidade de recuperação de valores, chamada de MED 2.0: um procedimento de rastreamento, bloqueio e devolução que permite múltiplos bloqueios e devoluções parciais. Ele foi liberado de forma opcional a partir de 23 de novembro de 2025 e tornou-se obrigatório para os bancos e instituições que mantêm contas em 2 de fevereiro de 2026.

A Resolução BCB nº 546 dispensou a abertura de processo contra as instituições por falhas nessa obrigação ocorridas entre 2 de fevereiro e 10 de maio de 2026. Na prática, o pedido feito no app aciona o bloqueio dos valores na conta do recebedor, e a devolução pode ser integral ou parcial, conforme o saldo encontrado. O BC avisa que o MED não garante a devolução.

Pix para a pessoa errada e briga com vendedor ficam de fora

O regulamento do Pix, anexo à Resolução BCB nº 1, de 2020, exclui do MED as disputas sobre o próprio negócio, como produto entregue fora do prazo, e os casos em que o dinheiro foi parar na conta de um terceiro de boa-fé, que não participou do golpe. Pix com finalidade de saque ou troco também não entra.

O manual do BC lista ainda a transferência feita para a pessoa ou empresa errada e o arrependimento de ter feito o Pix. Nesses casos, o app deve informar que a contestação não pode ser registrada e que a saída é tentar a devolução diretamente com quem recebeu.

Contestar nas primeiras horas é o passo que mais pesa

Assim que perceber o golpe, abra o app, conteste a transação e guarde o protocolo. Registre o boletim de ocorrência e envie o documento pela consulta de contestações, junto com prints das conversas e o comprovante do Pix.

Se o banco não resolver, o caminho é a Ouvidoria da instituição e depois a reclamação no site do Banco Central, feita com a Conta gov.br nível prata ou ouro. A instituição pode levar até 10 dias úteis para responder, e o BC não atua no caso individual: a reclamação é respondida pelo banco e uma amostra serve para a supervisão.

Leia também: Encomenda retida, taxa por link e boleto com outro beneficiário: os sinais de golpe que Correios, Febraban e Banco Central mandam conferir antes de pagar; Banco Central ainda guarda R$ 5,8 bilhões esquecidos em bancos: como consultar no Valores a Receber de graça e sem cair em golpe.

Informações conferidas em 19 de outubro de 2026 nas fontes citadas.

Tags: Banco Centraldevolução do Pixgolpe do PixMED
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