Desde setembro de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) não restringe a mamografia de mulheres de 40 a 49 anos sem sintomas que queiram fazer o exame, e muitas ainda não sabem disso. A regra está numa nota técnica do Ministério da Saúde que também esticou o rastreamento de rotina até os 74 anos, a cada dois anos a partir dos 50. Neste Outubro Rosa, o caminho para pedir o exame continua sendo a unidade de saúde perto de casa.
A regra mudou em setembro de 2025 e segue valendo
O Ministério da Saúde anunciou a mudança na terça-feira, 23 de setembro de 2025, segundo a Agência Brasil. Antes, a orientação oficial começava aos 50 anos e ia até os 69. Nessa faixa de 40 a 49, o exame costumava ser liberado só com sintoma ou histórico familiar.
O texto que vale é a Nota Técnica nº 626/2025, assinada pela Coordenação-Geral de Prevenção e Controle do Câncer, pelo Departamento de Atenção ao Câncer, pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e pela Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Ela abre com uma frase direta: “O Ministério da Saúde esclarece que o SUS não restringe o acesso das mulheres à realização de mamografia”.
A página de detecção precoce do câncer de mama do INCA, atualizada em 30 de setembro de 2025, registra a mesma regra para o rastreamento de rotina, e não há notícia de nova mudança nacional desde então.
Quem pode fazer o exame e com que frequência

A nota separa dois grupos de mulheres sem sintomas:
- De 50 a 74 anos: é o público do rastreamento ativo, com mamografia a cada dois anos. A rede de saúde deve convidar e buscar essas mulheres.
- De 40 a 49 anos e acima de 74: podem fazer a mamografia de rastreamento por demanda, isto é, quando pedem, desde que sejam orientadas por profissionais de saúde sobre os possíveis riscos e benefícios.
A edição de outubro de 2025 do Informe INCA resume do mesmo jeito: o SUS não restringe o atendimento de mulheres de 40 a 49 anos que queiram fazer o exame. A conversa sobre riscos e benefícios serve para que a decisão de fazer o exame sem sintomas seja tomada com informação, caso a caso.
Algumas redes municipais foram além da regra nacional. Em São Paulo, a Nota Técnica nº 03/2025 da Secretaria Municipal da Saúde, de 14 de outubro de 2025, prevê rastreamento anual dos 40 aos 75 anos.
Como pedir a mamografia pelo SUS
A nota técnica põe a Atenção Primária à Saúde na porta de entrada: o sistema deve garantir acesso rápido e facilitado e acolher, informar e fazer os exames em tempo oportuno. Na prática, o caminho é este:
- procure a unidade básica de saúde (UBS) mais perto de casa ou aquela onde você já é atendida;
- marque uma consulta e diga que quer fazer a mamografia; entre 40 e 49 anos, o profissional vai explicar riscos e benefícios antes de pedir o exame;
- com a solicitação em mãos, siga o agendamento indicado pela unidade, que varia de município para município;
- depois do exame, volte à unidade para mostrar o resultado e combinar o próximo passo.
Estados e cidades também organizam mutirões. A nota orientativa da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, de 1º de outubro de 2025, recomenda que os municípios ofereçam horários alternativos, como atendimento noturno ou de fim de semana, e façam busca ativa das mulheres de 50 a 74 anos. Vale perguntar na sua UBS se há ação do Outubro Rosa na sua cidade.
Sinais de alerta pedem avaliação em qualquer idade
A regra de idade vale para quem não tem sintomas. Quem nota alguma alteração na mama não precisa esperar a faixa etária: a nota técnica diz que a prioridade na marcação de exames deve ser dada às mulheres sintomáticas. Entre os sinais de referência urgente listados pelo Ministério da Saúde estão:
- nódulo mamário endurecido e fixo, em mulheres adultas de qualquer idade;
- nódulo que vem aumentando de tamanho;
- saída de secreção com sangue por um único mamilo;
- retração da pele da mama ou mudança no formato do mamilo;
- pele com aspecto de casca de laranja ou ferida no mamilo que não melhora com tratamento local;
- caroços endurecidos na axila;
- inflamação da mama (mastite) que não melhora com antibiótico.
Quase todos esses sinais (menos a mastite, que está só na nota técnica) aparecem também na página do Ministério da Saúde sobre câncer de mama, que inclui ainda qualquer nódulo em mulheres com mais de 50 anos e nódulo que persiste por mais de um ciclo menstrual em mulheres com mais de 30.
A faixa dos 40 concentra quase um quarto dos casos
Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Agência Brasil no anúncio, as mulheres de 40 a 49 anos respondem por 23% dos casos de câncer de mama, e as de 50 a 74, por quase 60%. Mulheres com menos de 50 anos já faziam 30% das mamografias do SUS, mais de 1 milhão só em 2024.
Se você tem entre 40 e 74 anos, aproveite o mês para conferir quando fez a última mamografia e marcar a consulta na UBS. Mamografia não é tratamento nem garantia de que a doença não vai aparecer: é um exame que ajuda a encontrar alterações mais cedo. Para decidir quando começar, com que frequência repetir e o que fazer com o resultado, converse com um médico ou outro profissional de saúde, que vai orientar de acordo com o seu histórico.
Informações conferidas em 8 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



