Em outubro de 2026, a única vacina contra a dengue aplicada nos postos do SUS é a Qdenga, em duas doses, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de qualquer município do país. A vacina de dose única do Instituto Butantan está com o uso suspenso desde 8 de junho de 2026, e as doses que sobraram estão sendo recolhidas às centrais estaduais.
Quem pode tomar a vacina da dengue no SUS agora
O quadro conferido em 13 de outubro de 2026 nas notas técnicas do Ministério da Saúde é este:
- Qdenga (laboratório Takeda): crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em todos os municípios brasileiros.
- Esquema: duas doses, com intervalo de três meses entre a primeira e a segunda.
- Onde: na sala de vacinação da Unidade Básica de Saúde (UBS) do município.
- Butantan-DV (Instituto Butantan): aplicação suspensa no SUS por precaução, sem data de retomada.
- Adultos de 15 a 59 anos: no momento, não há vacina da dengue para essa faixa na rede pública.
A ampliação da Qdenga para o país inteiro foi oficializada pela Nota Técnica nº 4/2026 do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI), assinada em janeiro de 2026. Até dezembro de 2025, a vacina era recomendada em 2.752 municípios; a nota estendeu a oferta a todos, com a condição de que a aplicação fique restrita à faixa de 10 a 14 anos. A mesma nota ressalva ampliações pontuais e temporárias, quando há doses perto do vencimento.

A vacina de dose única do Butantan chegou ao SUS e foi suspensa em junho
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a Butantan-DV em 26 de novembro de 2025 para pessoas de 12 a 59 anos, como a primeira vacina contra a dengue em dose única do mundo, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. A página de perguntas do ministério sobre a vacina registra a mesma faixa e a prioridade dada aos trabalhadores da Atenção Primária à Saúde.
A estreia foi em formato de piloto. A Nota Técnica nº 5/2026 previu vacinação em massa de moradores de 15 a 59 anos em Nova Lima (MG) e Maranguape (CE) a partir de 17 de janeiro de 2026, e em Botucatu (SP) a partir de 18 de janeiro.
Em 8 de junho de 2026, o ministério interrompeu a estratégia. A Nota Técnica nº 58/2026 determinou a descontinuação temporária da vacina no SUS, como medida de precaução. Segundo a Agência Brasil, entre pouco mais de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio, 42 pessoas tiveram sinais de alarme, três foram internadas e duas morreram. O ministério afirmou que não era possível concluir que a vacina causou esses eventos e que a investigação ficaria com especialistas.
As doses restantes estão sendo recolhidas
O passo seguinte veio com a Nota Técnica nº 83/2026, assinada em 23 de julho de 2026. Ela manda levar todas as doses da Butantan-DV guardadas em unidades locais, municipais e regionais para a central de rede de frio de cada estado, para evitar aplicação por engano e manter o estoque sob controle. A nota diz que o uso segue suspenso e não estabelece quando ou em que condições a vacinação pode voltar.
Na lista de notas técnicas do Programa Nacional de Imunizações, que chega a 30 de setembro de 2026, não aparece nenhuma orientação de retomada da Butantan-DV. Na prática, fora das ampliações temporárias por doses perto do vencimento, quem tem 15 anos ou mais não encontra vacina da dengue na UBS.
Quem tomou a dose do Butantan não precisa repetir nada
Segundo a reportagem da Agência Brasil sobre a suspensão, o ministério destacou que quem foi vacinado continua protegido. O cuidado extra valia para os primeiros 21 dias depois da aplicação: a Nota Técnica nº 58/2026 trata como caso prioritário o vacinado com quadro parecido com dengue nesse intervalo. Os sinais de alarme listados incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sangramento de mucosas.
Para os adolescentes, a orientação é outra. A Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) informou que a vacinação com a Qdenga continua normalmente e que quem já tomou a primeira dose deve receber a segunda.
O que levar e quem não deve tomar a Qdenga
Para vacinar um filho de 10 a 14 anos, vá à UBS com a caderneta de vacinação e um documento com CPF ou o Cartão Nacional de Saúde (CNS). A Nota Técnica nº 4/2026 pede que o registro da dose seja feito priorizando o CPF. Anote a data da primeira dose: a segunda deve ser aplicada três meses depois.
A bula da Qdenga lista quem não deve receber a vacina:
- pessoas com alergia a algum componente da fórmula ou que tiveram reação alérgica após uma dose anterior;
- quem tem o sistema imunológico comprometido, por defeito genético ou infecção por HIV;
- quem usa remédios que reduzem a imunidade, como corticoide em dose alta ou quimioterapia;
- gestantes e mulheres que estão amamentando.
Fora do SUS, a bula autoriza a Qdenga de 4 a 60 anos, o que permite a vacinação de adultos em clínicas particulares, com indicação e custo por conta do paciente. Na rede pública, porém, vale a faixa de 10 a 14 anos definida pelo ministério.
Vacina não substitui o combate ao mosquito: eliminar água parada em vasos, calhas e recipientes continua sendo a principal proteção para quem está fora da faixa vacinada. Em caso de febre ou dúvida sobre a vacinação, procure um profissional de saúde da sua UBS para orientação individual.
Informações conferidas em 13 de outubro de 2026 nas fontes citadas.




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