De um lado, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomendam não chamar homens sem sintomas para fazer exames de próstata de rotina. Do outro, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) orienta que todo homem procure um especialista a partir dos 50 anos, ou dos 45 nos grupos de risco, para uma avaliação individual. No Novembro Azul de 2026, as duas posições seguem valendo, e o ponto em comum é a decisão tomada em conversa com o médico.
O governo federal recomenda não fazer rastreamento em massa do câncer de próstata
A posição oficial está na Nota Técnica nº 9/2023 do Ministério da Saúde, assinada pela Coordenação de Atenção à Saúde do Homem e por outros dirigentes do ministério e do INCA entre 4 e 6 de outubro de 2023. O documento não recomenda o rastreamento populacional, que é a aplicação sistemática de exames como o PSA (exame de sangue) e o toque retal em homens que não têm queixa nenhuma.
Segundo a notícia publicada pelo INCA em 26 de outubro de 2023, a nota reafirma uma orientação que já existia desde 2015, em documento conjunto do ministério com o instituto. A nota de 2023 também pede aos gestores que não façam campanhas para convocar homens sem sintomas a fazer os exames.

Resumo das duas posições:
- Ministério da Saúde e INCA: não recomendam exame de rotina em homem sem sintoma; quem pedir o exame deve receber explicação sobre riscos e benefícios e decidir junto com o profissional.
- Sociedade Brasileira de Urologia: avaliação individual com especialista a partir dos 50 anos, mesmo sem sintomas, e a partir dos 45 para homens negros ou com parente de primeiro grau que teve câncer de próstata.
- Com sintoma urinário, o caminho é outro: a nota do Ministério manda investigar o quanto antes.
O argumento do Ministério é o risco de tratar um câncer que não faria mal
A nota técnica cita revisões de estudos que indicam que o rastreamento aumenta muito o número de diagnósticos, sem redução significativa das mortes pela doença. Parte desses tumores cresce tão devagar que o homem morreria com o câncer, e não por causa dele. O nome técnico disso é sobrediagnóstico: a descoberta de um câncer que não evoluiria nem causaria dano durante a vida.
O problema, segundo o documento, é que no momento do diagnóstico nem sempre dá para saber qual tumor será agressivo. Assim, homens acabam passando por biópsia, com risco de dor, sangramento e infecção, e por tratamentos que podem deixar disfunção sexual e urinária. A nota cita estudos de autópsia em que 37% dos homens de 40 a 50 anos e 60% dos homens acima de 79 anos tinham alterações compatíveis com câncer de próstata nas células, embora tivessem morrido por outras causas.
A página do Ministério da Saúde sobre câncer de próstata reconhece que os especialistas divergem sobre o tema e lista os possíveis efeitos de tratamentos desnecessários: impotência sexual e incontinência urinária. A orientação da pasta é conversar com um profissional de saúde antes de decidir.
Os urologistas defendem a consulta mesmo sem sintoma, a partir dos 50 anos
A SBU publicou suas recomendações em texto sobre aconselhamento para o diagnóstico precoce do câncer de próstata, de outubro de 2020. Pela orientação da entidade:
- homens a partir de 50 anos, mesmo sem sintomas, devem procurar um especialista para avaliação individualizada;
- homens negros ou com parente de primeiro grau que teve câncer de próstata devem começar aos 45 anos;
- depois dos 75 anos, a avaliação é indicada só para quem tem expectativa de vida acima de 10 anos;
- a decisão de fazer os exames deve vir depois de uma conversa sobre riscos e benefícios, compartilhada entre médico e paciente.
Os urologistas citam grandes estudos internacionais, o europeu ERSPC e o americano PLCO, com redução de 25% a 32% nas mortes pela doença entre os homens rastreados, a depender da análise. A entidade também lembra que cerca de 20% dos casos ainda são descobertos em fase avançada e que, nos tumores de baixo risco, a conduta atual é a observação vigilante: acompanhar com PSA e toque retal periódicos, sem operar de imediato.
O câncer de próstata é o mais frequente entre os homens no Brasil, depois do câncer de pele
Na estimativa divulgada pelo INCA em fevereiro de 2026 para o período de 2026 a 2028, o câncer de próstata aparece em primeiro lugar entre os tipos mais incidentes nos homens, quando se excluem os tumores de pele não melanoma, à frente de cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. A nota técnica de 2023 trazia a estimativa anterior, de 71.730 casos novos por ano entre 2023 e 2025.
No início, a doença costuma não dar sinais. Quando eles aparecem, os mais comuns, segundo o Ministério da Saúde, são:
- dificuldade ou demora para começar e terminar de urinar;
- jato de urina mais fraco;
- vontade de urinar mais vezes, de dia ou à noite;
- sangue na urina.
Essas queixas também podem ter causa benigna, como o aumento benigno da próstata e a prostatite. O ministério lista como fatores de risco a idade (nove em cada dez diagnosticados no Brasil têm mais de 55 anos), o histórico de pai, avô ou irmão com a doença antes dos 60 anos e o excesso de peso.
Como levar a dúvida para a consulta
As duas posições convergem num ponto: o exame de próstata não deve ser feito no automático. Na consulta, vale contar ao médico a idade, se há casos da doença na família e se existe algum sintoma urinário. Também vale perguntar o que acontece se o PSA vier alterado e quais efeitos colaterais um tratamento poderia trazer.
Com sintoma, a situação é outra: a nota técnica do Ministério manda iniciar a investigação o quanto antes. Dúvidas sobre o tema também podem ser tiradas pelo OuvSUS, no número 136.
Para decidir sobre exames de próstata, procure um médico ou profissional de saúde para uma orientação individual.
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Informações conferidas em 19 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



