Em dois dias de cadastro em São Bernardo do Campo (SP), 968 moradores levaram a última conta de luz, o RG e o CPF para tentar trocar a geladeira antiga por uma nova, sem custo. Depois da análise, 915 famílias foram consideradas aptas, com a troca programada em seis etapas entre agosto e outubro de 2026, segundo a Enel Distribuição São Paulo. A troca faz parte do Programa de Eficiência Energética das distribuidoras, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e acontece em outras regiões do país com regras próprias.
Nas ações recentes da Enel na Grande São Paulo, estes foram os critérios divulgados pela empresa:
- consumo médio de até 250 kWh por mês nos últimos 12 meses;
- estar em dia com a distribuidora (quem tem conta atrasada precisa quitar e levar o comprovante);
- levar a última conta de luz e o RG e o CPF do titular;
- não ter recebido geladeira do programa nos últimos 10 anos;
- passar pelo diagnóstico energético e comparecer ao evento de contemplação, que é obrigatório.
O dinheiro da troca vem de uma verba que a lei reserva para eficiência energética
A geladeira nova é paga com recursos do programa de eficiência energética da distribuidora, e esse dinheiro tem regra em lei. A Lei 13.280, de 3 de maio de 2016, mudou a Lei 9.991, de 2000, para regular o uso dos recursos destinados a programas de eficiência energética. Pelo texto, 80% desses recursos são aplicados pelas próprias concessionárias e 20% vão para o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel).

A mesma lei permite que as distribuidoras apliquem até 80% do dinheiro de seus programas em unidades consumidoras beneficiadas pela Tarifa Social de Energia Elétrica, em comunidades de baixa renda e em comunidades rurais. É por isso que a troca de geladeira costuma chegar a bairros populares, em parceria com prefeituras e associações de moradores.
A Aneel descreve o programa como uma iniciativa que visa promover o uso eficiente da energia elétrica, reduzindo desperdícios. A geladeira é alvo frequente porque fica ligada o dia inteiro: no Paraná, segundo o governo do estado, ela pode representar de 8% a 31% do consumo de uma casa, conforme o uso.
Na Grande São Paulo, o caminho passa por cadastro presencial e diagnóstico em casa
Nas ações divulgadas pela Enel, o cadastro é presencial e acontece em etapas, bairro a bairro, em pontos de atendimento montados com prefeituras e associações de moradores. Em Cotia, por exemplo, a prefeitura divulgou o cadastro para 5 e 6 de outubro de 2026, das 10h30 às 14h30, no ginásio de esportes da cidade, com os mesmos critérios de consumo, conta em dia e documentos.
Depois do cadastro, agentes da distribuidora fazem o diagnóstico energético: avaliam o consumo da casa e conferem se a família cumpre as regras. Quem é aprovado precisa ir ao evento de contemplação, e quem falta perde o direito à troca. Em Embu das Artes, onde mais de 500 famílias foram contempladas em junho de 2026, a prefeitura listou também a exigência de ter uma geladeira com mais de nove anos de uso.
A geladeira velha não fica com a família nem é revendida. Segundo a Enel, os aparelhos antigos, de alto consumo, são retirados de circulação e encaminhados para reciclagem. O programa inclui ainda orientações sobre uso consciente de energia.
Cada distribuidora monta o seu formato, e nem toda troca é de graça
Como a lei dá margem para cada empresa desenhar seus projetos, as regras mudam de um estado para outro. Três exemplos mostram a diferença:
- Minas Gerais: o projeto Cemig nas Comunidades, Regularização e Energia para a Vida prevê 7.000 substituições de geladeiras até 2027, voltadas a famílias de baixa renda em comunidades, ocupações e áreas em regularização fundiária.
- Paraná: o projeto Trocou, Economizou, da Copel, não entrega o aparelho de graça. No formato divulgado em janeiro de 2026, ele dava desconto na compra da geladeira nova para o titular da conta residencial em dia, que entregasse uma geladeira com pelo menos 5 anos de uso e funcionando, além de 4 lâmpadas antigas. Em janeiro de 2026, o governo do estado informou mais de 16 mil lares atendidos, de uma meta de 20 mil.
- São Paulo: a Enel faz a troca sem custo para quem passa nos critérios de consumo e documentação descritos acima.
Em outras áreas, as distribuidoras já usaram sorteio entre os cadastrados e critérios ligados à Tarifa Social. Por isso, a regra que vale é sempre a divulgada pela empresa que atende a sua casa, para aquela ação específica.
Separar a conta de luz e acompanhar os anúncios locais é o que garante a chance
Como o cadastro costuma durar só dois dias, a família que quer participar ganha tempo deixando tudo pronto antes do anúncio:
- confira o histórico de consumo na própria conta de luz, que mostra os últimos meses, e veja se a média fica dentro do limite;
- quite contas atrasadas e guarde o comprovante;
- separe a última fatura e o RG e o CPF de quem é o titular da conta;
- acompanhe os canais oficiais da distribuidora e da prefeitura, que divulgam local, data e horário de cada etapa.
No ABC paulista, novas rodadas já estavam marcadas: a imprensa regional informou cadastro em Santo André em 3 e 4 de novembro de 2026, com até 350 atendimentos por dia, e também noticiou 700 vagas em São Bernardo em 9 e 10 de novembro, por ordem de chegada. Fazer o cadastro não garante a geladeira: a contemplação depende da análise técnica e dos critérios do programa.
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Informações conferidas em 29 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



