POLÍTICA

Lula rebate Trump e defende soberania do Brasil no G7

Presidente criticou declarações do líder dos EUA, rejeitou interferência nas eleições e voltou a questionar o funcionamento do G7

Por POLÍTICA JB
[email protected]

Publicado em 17/06/2026 às 16:19

Alterado em 17/06/2026 às 16:19

Lula se encontrou com Zelensky, da Ucrânia, na reunião do Grupo dos 7 Foto: Ricardo Stuckert

Lula reage às declarações de Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu nesta quarta-feira (17) as falas de Donald Trump sobre a política brasileira e afirmou que o líder norte-americano não deve interferir nos assuntos internos do país, especialmente nas eleições. As declarações aconteceram durante a participação de ambos na cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França.

Lula disse ainda que não pediu uma reunião bilateral com Trump porque Brasil e Estados Unidos já mantêm negociações em andamento sobre temas comerciais e de segurança. Segundo ele, algumas manifestações recentes do presidente dos EUA foram inadequadas e revelam desconhecimento sobre a realidade institucional brasileira.

Trump fala em cenário político 'perigoso'

Mais cedo, Trump havia afirmado em coletiva de imprensa que a situação política do Brasil se tornou preocupante. Questionado sobre sua conversa com Lula e sobre temas como tarifas comerciais e a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, o presidente dos Estados Unidos disse que o país vive um momento “complicado” e “perigoso”.

As declarações foram interpretadas como uma referência ao ambiente político brasileiro e a decisões judiciais recentes envolvendo nomes ligados ao campo bolsonarista. Trump também mencionou Eduardo Bolsonaro, a quem chamou de “Bolsonaro Jr.”, e afirmou ter sabido do caso depois de sua reunião com o presidente brasileiro.

Críticas ao Judiciário e defesa de aliados de Bolsonaro

Ao comentar o caso, Trump disse que Eduardo Bolsonaro estaria indo bem nas pesquisas quando foi alvo de medidas judiciais, reforçando a postura de defesa que vem adotando em relação a aliados políticos de Jair Bolsonaro. Na terça-feira (16), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal votou pela condenação do ex-deputado.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Eduardo Bolsonaro teria atuado junto a autoridades dos Estados Unidos para buscar sanções contra integrantes do Judiciário brasileiro e contra o próprio Brasil, o que fundamentou a acusação de coação judicial. O episódio ampliou a repercussão internacional das disputas políticas no país.

Lula questiona o funcionamento do G7

Além das críticas a Trump, Lula também questionou a dinâmica do G7. Na avaliação do presidente, os países convidados para a cúpula têm pouca influência sobre os documentos e decisões produzidos pelos membros permanentes do grupo, que chegam ao encontro com as principais resoluções praticamente definidas.

Para Lula, esse modelo limita a participação dos países em desenvolvimento nas decisões globais. O presidente voltou a defender maior espaço para essas nações em fóruns multilaterais e cobrou reformas na governança internacional, afirmando que o debate no grupo está virando “um samba de uma nota só”.

Deixe seu comentário