POLÍCIA
Operação Hawala mira lavagem de dinheiro de facções no Rio e em SP
Por JB POLÍCIA
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Publicado em 15/07/2026 às 12:36
Alterado em 15/07/2026 às 12:36
Fachada da Secretaria de Estado da Polícia Civil, no centro do Rio de Janeiro Tomaz Silva/Agência Brasil
A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagraram nesta quinta-feira (15) a Operação Hawala para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado a facções criminosas do Rio de Janeiro e de São Paulo. A investigação aponta que o grupo movimentou mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2024, com recursos provenientes da venda de drogas ilícitas e de outras práticas criminosas.
De acordo com os investigadores, a estrutura financeira servia a organizações como Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e em Foz do Iguaçu, no Paraná.
Como funcionava o esquema
A apuração começou a partir da descoberta de uma rede ligada ao controle da venda de drogas no Complexo de São Carlos, na região central do Rio, área associada ao TCP. Com o avanço das diligências, os policiais identificaram que o mesmo modelo também era usado para lavar dinheiro de grupos vinculados ao CV e ao PCC.
Segundo a denúncia, o dinheiro era inserido no sistema financeiro por meio de empresas de fachada, empresas recém-criadas, depósitos fracionados, uso de laranjas e cooptação de contadores. As movimentações bancárias analisadas mostraram volumes muito acima da capacidade financeira dos investigados e das pessoas jurídicas envolvidas.
Prisões, denúncias e novas frentes de apuração
O MPRJ denunciou 22 pessoas à Justiça, e dez delas tiveram mandados de prisão expedidos. Até o início da manhã desta quinta-feira, oito suspeitos haviam sido presos, segundo a Polícia Civil. A operação também busca reunir novos elementos sobre a estrutura empresarial usada para ocultar a origem do dinheiro.
Além do foco nas facções brasileiras, a investigação abriu uma frente internacional. A Polícia Civil apura se o esquema também era utilizado para financiar organizações consideradas terroristas. Os investigadores identificaram relação comercial entre um dos alvos e um homem sancionado pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com a estrutura de financiamento da Al-Qaeda.
Investigação segue em andamento
A partir dessa conexão, a apuração será aprofundada para verificar se houve, de fato, repasse de recursos do crime organizado brasileiro para redes internacionais. A polícia e o Ministério Público afirmam que o caso ainda pode revelar novos operadores financeiros e empresas usadas para esconder a origem do dinheiro ilícito. (com informações da Agência Brasil)