Megaoperação da Polícia Civil combate à lavagem de dinheiro de facção criminosa

Traficante Fernandinho Beira Mar usava empresas em cinco estados para lavar dinheiro

Uma megaoperação desencadeada por policiais civis de cinco estados brasileiros visa desarticular um esquema de lavagem de dinheiro obtido com a venda de drogas pela facção criminosa Comando Vermelho. A facção é a mesma que controlava a venda de drogas no Complexo do Alemão (Zona Norte do Rio), ocupado pelas forças de segurança há um ano.

A ação, intitulada como “Operação Scriptus”, conta com 200 agentes do Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Ao todo, a polícia visa cumprir 20 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão de traficantes ligados à Fernandinho Beira Mar. 

Manuscritos de Beira Mar

As investigações foram desencadeadas pelo Núcleo de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (NUCC – LD), com apoio da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) e da Coordenadoria de Inteligência e Informação Policial (CINPOL). A partir da análise de 14 retalhos de papel pautado, com manuscritos do traficante Luiz Fernando da Costa, o “Fernandinho Beira Mar”, apreendidos durante a ocupação, os agentes puderam descobrir o esquema responsável pela obtenção de grande parte das armas e drogas para a comunidade, além de como era realizada a lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, cerca de dez toneladas de maconha, das 40 apreendidas durante a operação de ocupação, chegaram ao Complexo do Alemão através do esquema montado pelo traficante.

De acordo com o coordenador do NUCC – LD, delegado Flávio Porto, a análise do material identificou também a existência de uma espécie de “terceiro setor”, integrado por pessoas físicas e jurídicas, sediadas em Foz do Iguaçu, Mato Grosso do Sul e Belo Horizonte, que tinham como função dar uma aparência de legalidade ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas. O capital era depositado em suas contas por pessoas que se associaram ao grupo criminoso, exercendo o papel de “agentes depositantes”, geralmente moradores da localidade que levavam o dinheiro às agências bancárias quantias expressivas.

Ao perceber essa movimentação, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), em parceria com a Polícia Civil, possibilitou o bloqueio e sequestro dos saldos das contas bancárias envolvidas no esquema, por onde circulavam mais de R$ 20 milhões. A partir daí, será possível atingir o patrimônio dos bandidos, construído com dinheiro ilícito.

As pessoas envolvidas no esquema responderão por tráfico de drogas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.