Trens da Supervia têm ao menos um incidente grave a cada 75 dias

Os problemas com os trens da manhã desta sexta-feira no Rio não foram um episódio isolado. Isto é o que mostra um levantamento feito pelo Jornal do Brasil com o noticiário dos últimos três anos, envolvendo denúncias de irregularidades no serviço prestado pela SuperVia.

Desde 2009, quando imagens de passageiros sendo barbaramente chicoteados por funcionários contratados pela concessionária, feitas pela TV Globo, chocaram o Brasil, foram pelo menos 14 ocorrências graves na linha férrea da Região Metropolitana do Rio, entre descarrilhamentos, atropelamentos, panes e outros problemas em um intervalo de apenas 36 meses, uma média de ao menos um acidente grave a cada 75 dias.

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O episódio das chicotadas ocorreu em 15 de abril de 2009. Menos de um mês depois, no dia 6 de maio, foi a vez de uma composição que seguia da Central do Brasil em direção à estação de Campo Grande descarrilhar na altura do Méier, apenas uma semana depois do governo do estado anunciar a prorrogação do contrato de concessão dos trens e prometer um investimento, dividido com a Supervia, de R$ 2,3 bilhões na melhoria do serviço. Por sorte, ninguém ficou ferido no acidente, que ocorreu apenas 10 metros da plataforma onde os passageiros esperavam para embarcar.

Em 2010, mais problemas. Em janeiro, passageiros ficaram apavorados depois que um trem do ramal Japeri percorreu o trajeto entre as estações de Ricardo de Albuquerque e Oswaldo Cruz sem maquinista, episódio que ficou conhecido como o "trem-fantasma".

Em março, problemas técnicos fizeram com que um trem lotado tivesse um princípio de incêndio. Passageiros que tentavam embarcar na estação Saracuruna se revoltaram e acabaram depredando as instalações da estação. Em abril do mesmo ano, um descarrilhamento nas imediações da estação de Deodoro deixou mais de 60 pessoas feridas, algumas com gravidade, como fraturas.

Mesmo com a previsão de investimentos e a promessa da chegada de trens mais modernos, comprados da China, o ano de 2011 também foi marcado por acidentes e desrespeito com os usuários dos trens. 

Em junho, um trem se chocou com um carro em uma passagem de nível no bairro de Austin, em Nova Iguaçu. Apenas um mês depois, novo acidente no ramal Japeri. Um trem que seguia da estação de Austin para a de Queimados descarrilhou e se chocou de frente com outra composição. Mais uma vez, uma tragédia foi evitada por pouco e não houve feridos.

O mês mais problemático, no entanto, foi outubro, quando em dias seguidos acidentes aconteceram nos trens metropolitanos. No dia 5, dois vagões de um trem que seguia para Santa Cruz se soltaram do restante da composição e trafegaram sem controle por um trecho. O acidente provocou interrupção na circulação e grandes atrasos. Na noite do dia 6, mãe e filho morreram após serem atropelados por uma composição na altura de Manguinhos. No dia seguinte, um trem descarrilou a poucos metros da estação Japeri. Outro descarrilamento foi registrado no dia 24, no ramal Saracuruna, e os passageiros foram obrigados a caminhar pela linha férrea até a estação de Jardim Primavera.

Em novembro, outros dois incidentes. No dia 3, mais um trem descarrilou, desta vez nas proximidades da estação de Anchieta, obrigando os passageiros a caminharem mais de 200 m pelos trilhos. Já no dia 7, um passageiro acabou caindo entre no vão entre o trem e a plataforma na estação do Méier.