Juíza Patrícia Acioli é sepultada em Niterói

A juíza Patrícia Acioli, assassinada na madrugada desta sexta-feira (12) na porta de casa, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, foi sepultada nesta tarde no cemitério Marui Grande. Parentes e amigos da vítima foram prestar solidariedade.

Uma prima de Patrícia, que não quer ser identificada, afirmou que a magistrada era um "exemplo de honestidade", e que seu único bem de valor era a casa em Piratininga.

"Em 20 anos de carreira, a casa própria era seu único bem de valor", lembrou a prima.

Um amigo da famíla, que também pediu anonimato, afirmou que "todos sabiam do risco que ela (Patrícia) corria". Indagado se considerava ter havido falha da Justiça em garantir a segurança da juíza, ele disse:

"Não é preciso dizer que houve falha. O resultado esta aí", afirmou, apontando para o túmulo. "Ela chegou a ter seis seguranças, mas esse número foi sendo reduzido aos poucos, até não ter nenhum".

Também presente ao enterro, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, garantiu que os responsáveis pela morte de Patrícia serão pegos:

"O caso está sendo apurado. Estamos todos chocados, e teremos que dar uma resposta à sociedade", disse o desembargador.

Juíza levou 21 tiros

Segundo o delegado da Divisão de Homicídios, Felipe Ettore, Patrícia foi atingida por 21 tiros, a maioria na cabeça e no tórax. "Ela foi executada em uma emboscada", disse Ettore. O delegado também afirmou que a hipótese de crime passional já está praticamente descartada.

Companheiro de Patrícia, o policial militar Marcelo Poubel prestou depoimento durante mais de seis horas na Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. De acordo com os policiais, até a tarde desta sexta-feira, mais de dez pessoas haviam sido ouvidas, entre familiares e vizinhos

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Entenda o caso

A magistrada Patrícia Acioli, 47 anos, foi surpreendida por homens armados quando chegava em casa, no bairro de Piratininga, na Região Oceânica de Niterói. Segundo testemunhas, ela teria sido alvejada por homens encapuzados que estavam em duas motocicletas e em dois carros. Dos 15 disparos feitos, oito acertaram em cheio o banco em que a motorista estava.

O sepultamento do corpo da magistrada está previsto para as 16h30, no Cemitério Maruí Grande, no Centro de Niterói, Região Metropolitana do Rio.

Mais cedo, o primo de Patrícia Acioli disse que ela estava há três anos sem escolta policial por determinação do ex- presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Luiz Zveiter. O jornalista Humberto Nascimento afirmou que, nos últimos cinco anos, a magistrada recebeu quatro ameaças graves e também sofreu um atentado, enquanto era defensora pública na Baixada Fluminense.  

Procurado, o ex-presidente do Tribunal de Justiça e atual presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) negou veementemente que tenha determinado a retirada da escolta da juíza. Zveiter alega que presidiu o Tribunal de Justiça em 2009 e 2010 e a escolta da juíza foi retirada em 2007, quando ele ainda não presidia o TJ. Ele acrescentou ainda que ela preferia a segurança do próprio marido que era policial e sua escolta teria sido retirada a pedido da própria magistrada. 

Com Agência Brasil