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Ciberataques contra supermercados expõem falhas de segurança na Europa

As investigações miram equipamentos com autenticação inadequada e sistemas diretamente expostos à internet

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 03/11/2026 às 12:50

Alterado em 03/11/2026 às 12:50

Invasão causou prejuízos ao elevar temperaturas de refrigeradores para 50ºC Foto: Ansa

A Itália iniciou uma apuração sobre ataques cibernéticos que atingiram supermercados em diferentes regiões do país, após o registro de incidentes na Sicília e na Emilia-Romagna. A investigação foi anunciada pela Polícia Postal depois que o país passou a integrar a lista de nações europeias afetadas por uma ofensiva hacker contra sistemas de refrigeração.

Segundo as autoridades, os ataques teriam elevado a temperatura dos equipamentos para até 50°C, causando prejuízos operacionais. Apesar disso, o governo italiano afirmou que os impactos foram limitados e que, até o momento, não há sinais de risco à saúde da população.

Governo diz que não houve risco à segurança alimentar

Em comunicado divulgado pelo Palazzo Chigi, o governo informou que não foram identificadas ocorrências que comprometam a segurança alimentar, incluindo problemas relacionados ao descongelamento de produtos. Ainda assim, os órgãos responsáveis permanecem em alerta e mantêm acompanhamento constante da situação.

A Agência Nacional de Cibersegurança acompanha o caso e encaminha eventuais relatos de anomalias ao NAS, núcleo dos Carabineiros responsável por questões de saúde e higiene. A agência também tem realizado reuniões com representantes dos setores afetados e dirigentes de grandes empresas do mercado para acelerar respostas e reduzir riscos.

Falhas antigas e resposta do governo

Após reunião com o subsecretário Alfredo Mantovano e o ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, o governo avaliou que o impacto dos ataques foi muito limitado. De acordo com a administração de Giorgia Meloni, apenas alguns estabelecimentos, entre milhares no país, foram atingidos.

As autoridades apontaram que parte das empresas afetadas ainda utiliza sistemas de segurança obsoletos, com interfaces expostas à internet e autenticação inadequada. Ao mesmo tempo, disseram que a maior parte da cadeia de distribuição já conta com mecanismos atualizados, capazes de impedir intrusões maliciosas.

União Europeia coordena a resposta

Paralelamente, a Comissão Europeia realizou reuniões para discutir os ataques cibernéticos que atingiram supermercados em diferentes Estados-membros. O bloco informou que mantém contato direto com os países afetados e com as autoridades nacionais responsáveis pelas investigações.

Os encontros reuniram a força-tarefa interinstitucional da UE, com participação da ENISA, da Europol e de departamentos da própria Comissão, além da rede EU-CyCLONe, voltada à gestão de crises cibernéticas. A instituição destacou que os casos mostram como ataques digitais podem afetar serviços essenciais e impactar o cotidiano da população.

Ministro fala em nova forma de terrorismo digital

O ministro italiano do Meio Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto Fratin, defendeu a adoção de todas as medidas necessárias para combater a ameaça. Ele afirmou que o governo pretende mobilizar sua capacidade tecnológica e usar ferramentas avançadas para reforçar a defesa do país.

Pichetto Fratin classificou os ataques como uma nova forma de terrorismo e disse que a capacidade de resposta é o ponto central diante desse tipo de ofensiva. Já a Comissão Europeia pediu cautela ao tratar da possível autoria das invasões e afirmou que ainda não cabe atribuir responsabilidades neste momento.

O debate ocorre enquanto a primeira-ministra Giorgia Meloni mantém a linha de firmeza no combate a ameaças internas e externas. A chefe de governo, que chegou ao poder após as eleições de 2022, é uma das principais vozes da atual administração italiana.

Em outra frente, aliados do governo têm buscado alinhar a resposta política europeia com outras agendas internacionais. Nesse contexto, a discussão sobre segurança também se cruza com temas diplomáticos, como a coordenação de Meloni com a União Europeia em encontros estratégicos.

O tema da liderança feminina na política italiana também ganha relevo quando se lembra que Giorgia Meloni se tornou a primeira mulher a chefiar o governo do país, marco que continua a influenciar a forma como Roma enfrenta crises e reorganiza suas prioridades. (com informações da Ansa)

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