Senado dos EUA aprova resolução contra guerra no Irã e pressiona Trump

Votação bipartidária expõe divisão no Partido Republicano e amplia a pressão sobre a Casa Branca

Por JB INTERNACIONAL

Prédio do Capitólio, em Washington

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira, 23, uma resolução que instrui o presidente Donald Trump a pôr fim à guerra no Irã ou, caso queira continuar o conflito, buscar autorização do Congresso. A votação, de 50 a 48, representou a mais significativa repreensão bipartidária ao presidente até agora.

Embora a medida não tenha força de lei e deva ter efeito prático limitado, o resultado expôs uma divisão rara dentro do Partido Republicano. Quatro senadores republicanos votaram com os democratas, em um momento em que crescem as críticas à condução da guerra e ao acordo de cessar-fogo firmado pela Casa Branca.

Ruptura entre republicanos e a Casa Branca

A votação marcou uma mudança relevante no Congresso, tradicionalmente alinhado ao presidente em temas de guerra e segurança nacional. Desta vez, parlamentares republicanos demonstraram ceticismo em relação ao conflito, ao custo político da crise e ao risco de escalada regional, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato.

O único democrata a votar contra a resolução foi John Fetterman, da Pensilvânia. Do lado republicano, Rand Paul, Lisa Murkowski, Susan Collins e Bill Cassidy apoiaram a proposta. A ausência de senadores que costumavam se opor a medidas semelhantes também ajudou a aprovação no plenário.

Debate sobre poderes de guerra e impacto político

A iniciativa reacendeu a disputa sobre os poderes de guerra entre Congresso e presidente. Defensores da resolução argumentam que a Constituição atribui ao Legislativo a autoridade para declarar guerra, enquanto críticos afirmam que a medida não produzirá consequências jurídicas reais e dificilmente mudará a política externa de Trump.

Mesmo assim, a decisão foi comemorada por democratas como uma vitória simbólica contra uma ação unilateral do presidente. Ao mesmo tempo, a pressão sobre a Casa Branca aumenta em meio a negociações incertas com Teerã, relatos contraditórios sobre o programa nuclear iraniano e a permanência de milhares de militares americanos na região