NAS QUADRAS

Diluindo aos poucos

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Por PEDRO RODRIGUES
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Publicado em 21/03/2026 às 08:07

Alterado em 21/03/2026 às 12:17

Seattle e Las Vegas aguardam a confirmação da NBA para jogar a temporada 2028/2029 Imagem: Pedro Rodrigues/Feita com IA

Depois de muitos balões de ensaio e rumores que pareciam não ter fim, a NBA deve iniciar o processo de expansão da liga de 30 para 32 equipes. De acordo com a ESPN americana, na próxima semana a NBA realizará uma votação na reunião do conselho de governadores para analisar a adição de equipes de expansão para a temporada 2028/2029. As cidades de Seattle e Las Vegas são as mais comentadas como possíveis novas franquias.

Antes de falarmos das possibilidades, devo dizer que sou contra a expansão da NBA. Nada contra os torcedores do Seattle SuperSonics, que viram o seu amado time migrar para Oklahoma, mas é mesmo hora de aumentar o número de times e diluir o talento que é apresentado em quadra?

A NBA é única e é assim porque o jogador da NBA é único por seus talentos técnicos e físicos. Não acredita? Assista a um jogo da G League e compare a intensidade, a qualidade e a técnica. Aliás, nesta NBA de 2026, nem precisamos ver a G-League. Acompanhe alguns times neste momento da temporada que nem sempre há jogadores de nível NBA em quadra.

Quintetos titulares de times como Memphis Grizzlies, Indiana Pacers e Utah Jazz são exemplos disso. Trazer dois novos times significa não só mais 30 jogadores. Temos que considerar mais 60 jogadores, porque, além do time principal, há os times de desenvolvimento que precisam ser criados juntos com o time oficial. Infelizmente, neste caso, ter menos posições significa ter o melhor dos melhores. E a NBA está perdendo isso.

Em relação aos times, fica a curiosidade de como a cidade de Seattle e o estado de Washington vão abraçar um possível retorno da equipe. Que a cidade ama os Sonics, isso já ficou claro. Só que o auge mais recente do time foi em 1996, e os anos 90 já ficaram para trás há mais de 30 anos. Nesse tempo, ficaram pelo caminho o grunge, Shawn Kemp e Matrix. Tudo teve seu tempo.

Seria o Sonics um reboot cinematográfico em forma de franquia da NBA? Nostalgia agora é um requisito na NBA? Vancouver se anima com essa possibilidade.

Já o outro possível time, Las Vegas, tem, no mínimo, uma relação curiosa com a NBA. Se antes era considerada por todos na NBA realmente como a “Cidade do Pecado”, devido a incidentes como no All-Star Game de 2007 (relembre aqui), a liga abraçou a cidade e tem hospedados seus “eventos-satélites” Summer League e as finais da Copa NBA, na cidade.

Minha questão com a terra dos cassinos tem mais relação com o público. Las Vegas já tem um time da NBA. Chama-se Los Angeles Lakers. A quantidade de torcedores e a proximidade com a cidade dos anjos ajudam muito nesse sentido. Se levarmos em conta o público das duas edições da NBA Cup, fica a impressão de que Las Vegas não é exatamente uma cidade apaixonada pela NBA. Os moradores e frequentadores gostam dos Lakers, e isso pode ser um problema.

Outras cidades mencionadas foram Nashville e a Cidade do México. Pelo tamanho dos mercados e pelo pesadelo logístico que o México representaria, parecem mais devaneios do que possibilidades reais.
No fundo, a expansão tem um motivo simples: dinheiro. Acredita-se que um número crescente de proprietários apoie a expansão por conta do crescimento de receita a longo prazo que os mercados de Las Vegas e Seattle podem proporcionar. Alguns donos ainda demonstram hesitação em vender parte de suas participações e ver sua fatia na liga passar de 1/30 para 1/32, e querem analisar as avaliações finais das propostas e as taxas de franquia, estimadas entre 6 e 9 bilhões de dólares, antes de decidir se a expansão deve acontecer agora ou em alguns anos.

A expansão também pode mascarar algumas mazelas da atual NBA, como ginásios visivelmente mais vazios, o insuportável tanking e a falta de renovação das estrelas da liga. Las Vegas e Seattle podem trazer um frescor para a competição, mas, no curto e médio prazo, não devem melhorar a competitividade da maior liga de basquete do mundo.

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O Charlotte Hornets vive boa fase dentro (lembre aqui) e fora de quadra. Na última quinta-feira (19), o time aposentou a camisa número 30 de Dell Curry, pai de Steph e Seth. É muito raro um sexto homem, jogador que vem do banco, receber essa homenagem. Como Dell foi um atleta muito emblemático para o time, a torcida e a cidade, a homenagem a um dos maiores arremessadores de três pontos da liga é mais do que justa.

Confira a homenagem a Dell Curry


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Flamengo


Negrete do Flamengo arremessa para a vitória sobre Gregate do Pinheiros Foto: Anderson Brasil/CRF

O Flamengo voltou da importante vitória sobre o Astros de Jalisco pela BCLA na última sexta-feira (13) (link aqui) e já enfrentou o Pinheiros, líder do NBB, nesta quinta-feira (19). Com Negrete inspirado, anotando 22 pontos, o Fla venceu o bom time do ex-técnico rubro-negro Gustavo de Conti por 80 a 75. O Flamengo cresce demais quando Negrete está em boa fase física e técnica, e com a volta de um Alexey Borges zerado da lesão para os playoffs, o time de Sérgio Hernandez parece ter saído da turbulência que foi o começo do ano.
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Falando em Pinheiros, para este que vos escreve, o armador David Sloan, do Pinheiros, é o MVP desta temporada do NBB.

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