NAS QUADRAS
Astros Rubro-Negros
Por PEDRO RODRIGUES
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Publicado em 14/03/2026 às 15:03
Alterado em 14/03/2026 às 15:03
O ala/pivô Lucas Dória foi fundamental na vitória do Flamengo Foto: @photo.munoz
O Flamengo está entre os 4 melhores da BCLA, Basketball Champions League Americas! Em jogo disputado nesta madrugada em Guadalajara, México, o Rubro-Negro venceu na última cesta o Astros de Jalisco, por 77 a 75, e fechou a série por 2 a 0.
Foi uma das melhores atuações coletivas do time de Sérgio “Oveja” Hernandez. Corrigindo, uma das melhores atuações coletivas do Flamengo da última década. Com intensidade desde o inicio da partida, quando abriu 7 a zero, o Flamengo ditou o ritmo do jogo, controlou as ações e, mais importante, a defesa neutralizou o pivozão Chris Perry que infernizou o Flamengo no jogo de ida (relembre aqui)
Mesmo quando o time oscilou, no terceiro período, Oveja soube tranquilizar a equipe e contou com uma excelente surpresa. O ala-pivô Lucas Dória (8 pontos - 6 rebotes, sendo 5 no ataque) teve participação destacada em conseguir manter a posse com o Rubro-negro quando o jogo ficou mais complicado.

Negrete, camisa 44, marca e o Flamengo avança na BCLA Foto: @photo.munoz
O final foi eletrizante. Com 1:43 para finalizar o jogo, Gui Deodato (16 pontos) fez uma bandeja no contra-ataque, e parecia que o jogo estava decidido com 73 a 64 no placar. Foi aí que começou o show do armador do Astros, Trey Burke, jogador com passagens pela NBA. Foram 8 pontos, 2 cestas de 3 e uma bandeja, que deixou o placar em 72 a 73 faltando 46 segundos para finalizar o jogo. Alexey Borges, excelente partida para o time do armador, sofreu falta e converteu os dois lances-livres. No lance seguinte, Yoanki Mencia empatou a partida em 75 a 75 com 17 segundos. Foi aí que Oveja trabalhou sua mágica. O técnico entregou a jogada decisiva para o ala Negrete que, com maestria, bailou sobre a defesa do time Mexicano, e com 10 segundos no relógio acertou a bandeja que deu números finais à partida. Flamengo 77 a 75 no Astros de Jalisco.
O Fla se junta a Boca Juniors, Sesi-Franca e Nacional do Uruguai no Final Four. O local ainda não foi definido, mas a tendência é que ocorra no Uruguai, casa do Nacional.
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Março é um mês atípico na NBA. Isso porque a competitividade fica bem prejudicada neste período. Vejamos, Alguns times já estão pensando na próxima temporada, outros tentam achar o equilíbrio entre manter as estrelas em quadras ou poupar para os playoffs.
O jogo da última terça-feira(10), entre o Miami Heat e o Washington Wizards, estava com o “roteiro” pronto: o Heat iria vencer porque luta pelos playoffs, e o Wizards continuaria seu caminho à futilidade em mais uma temporada fracassada. Ainda bem que as expectativas não se confirmaram. Como um cometa iluminando um céu de mediocridade, o pivô Bam Adebayo começou o jogo com tudo e marcou somente nos primeiros 12 minutos da partida 31 pontos. A estatística impressiona. Ele acertou 10 dos 16 arremessos de quadra tentados, e converteu 5 de 8 bolas de 3. Ao final do segundo período, Adebayo já tinha 43 pontos.
Veja aqui os 83 pontos de Adebayo
Em um roteiro padrão da NBA atual, o Heat fecharia o jogo no meio do terceiro quarto, e os titulares iriam para o banco para acompanhar os reservas finalizarem a partida. Para nossa sorte, a comissão técnica do Miami manteve o jogador em quadra para ver até onde Adebayo conseguiria ir. No final, tivemos um jogo que pode ser um divisor de águas em uma NBA que busca alternativas ao tanking (perder de propósito para garantir melhor posição no draft). Adebayo fechou o jogo com impressionantes 83 pontos, segunda maior pontuação individual da história da NBA, só perdendo para os 100 pontos de Wilt Chamberlain ocorrido em março (olha o mês aí) de 1962, na vitória de 169 a 147 entre o Filadelfia Warriors e o New York Knicks.
As reações foram curiosas. De comentaristas na principal rede americana a usuários da rede social, a grita era de que era um absurdo o que aconteceu, que a partir de um certo ponto não tinha mais jogo e sim uma busca por números. Nada a discutir aqui, já que a partir do terceiro período o jogo virou uma busca de números para Adebayo. A alternativa era mais um jogo moroso decidido cedo, que viraria uma notinha de rodapé na temporada. E outra, precisamos voltar a apreciar o que estes fabulosos jogadores fazem em uma quadra de basquete. A solução do tanking parece ser deixar os jogadores da NBA serem jogadores da NBA.