FT diz que Marina buscaria acordos comerciais mesmo com resistência do Mercosul

Jornal afirma que investidores não querem mais o intervencionismo de Dilma

O Financial Times publicou uma reportagem nesta quinta-feira (25) sobre um possível governo de Marina Silva. Eles são bastante positivos sobre uma possível liderança de Marina, especialmente no âmbito econômico.O jornal diz que que um governo dela procurará fechar acordos comerciais com os EUA e a União Europeia, mesmo que haja resistência de seus parceiros na América do Sul, de acordo com um dos conselheiros econômicos da candidata.

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Eduardo Giannetti é economista e professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). Segundo a publicação americana, a análise do professor é que a subida de Marina ao poder iria “sacudir as restrições impostas pelo Mercosul”. O bloco comercial sul-americano que inclui Argentina e Venezuela,  exige que todos os parceiros a concordem com os acordos comerciais com o exterior.

"Eu acredito que o Brasil não pode continuar a ter suas mãos amarradas desta forma pelo Mercosul", disse Giannetti, em entrevista ao Financial Times. "Temos de avançar para acordos comerciais com outros blocos e se Mercosul não nos acompanhar, teremos de encontrar uma saída."

Ainda segundo o FT, o Brasil é considerado um dos países mais protecionistas do mundo. O Brasil é o maior país da América do Sul, mas a economia do comércio anterior, segundo a publicação, é murcha por causa da resistência de seus parceiros do Mercosul. Brasília está em negociações com a UE, mas as conversas se arrastam há anos, com pouco progresso.

Giannetti não disse como o Brasil iria superar as objeções de parceiros do Mercosul, mas disse que o maior país da América Latina tem que começar a abrir-se para atrair investimentos e melhorar a competitividade.

Marina deu uma guinada na corrida presidencial depois da morte de Eduardo Campos. Nas últimas semanas, porém, sua rival, a atual presidente Dilma Rousseff, vem se recuperando. O FT diz que os investidores parecem preferir as políticas de Silva às de Dilma Rousseff, que tem sido criticada por intervencionismo. 

Dilma culpa a economia global pelos problemas econômicos do Brasil. Mas o Giannetti criticou a gestão da economia, dizendo que Marin Silva voltaria para uma aplicação mais rigorosa dos regimes de metas de inflação bem sucedidas dos governos anteriores como o de  Lula e Fernando Henrique Cardoso.