A fila no banco uma vez por ano, com documento na mão, deixou de ser a regra da prova de vida do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Hoje é o próprio instituto que confirma se o aposentado ou pensionista está vivo, cruzando registros do dia a dia como vacinação, emissão de documentos, voto e atendimentos de saúde. Só quem não aparece em nenhuma dessas bases é chamado a agir, e o aviso chega pelos canais oficiais do governo.
A comprovação de vida passou a ser obrigação do INSS
A virada começou com a Portaria MTP nº 220, de 2 de fevereiro de 2022, que disciplina a comprovação de vida anual dos beneficiários. Segundo a Agência Senado, foi essa norma de 2022 que permitiu usar registros de bases públicas e privadas para comprovar que o beneficiário está vivo. A Agência Gov resume a lógica: desde a Lei nº 13.846/2019 e o Decreto nº 10.972/2022, o comparecimento presencial deixou de ser a regra, e cabe ao Estado buscar os dados.
No material de perguntas e respostas do INSS, o instituto afirma que, a partir de 2023, passou a ser responsável por comprovar se a pessoa está viva. A revisão anual alcança cerca de 40 milhões de beneficiários ativos, entre aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais, segundo a Agência Gov.
Os registros que valem como prova de vida

A lista de atos aceitos está no artigo 2º da Portaria PRES/INSS nº 1.408, de 2 de fevereiro de 2022, citada pelo próprio INSS. Entre eles:
- acesso ao Meu INSS com selo ouro;
- empréstimo consignado feito com biometria;
- atendimento em agência do INSS, perícia ou atendimento na rede de saúde;
- vacinação;
- cadastro em órgão de trânsito ou de segurança pública;
- atualização do Cadastro Único (CadÚnico) feita pelo responsável do grupo familiar;
- votação;
- emissão de documento oficial;
- recebimento do benefício com biometria;
- declaração de Imposto de Renda.
O voto tem peso grande nesse cruzamento. Em 2024, a Justiça Eleitoral repassou registros de comparecimento de 20.957.288 beneficiários, o que atualizou cerca de 5 milhões de provas de vida, informou a Agência Gov. A Agência Senado lembra que deixar de votar não provoca, por si só, a suspensão do benefício, porque o INSS usa as outras bases.
A presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, resumiu o efeito à Agência Gov: “Além de simplificar a Prova de Vida a milhões de segurados, a medida também traz segurança ao pagamento de benefícios da Previdência Social.”
O prazo de 10 meses agora conta da última comprovação
O INSS tem 10 meses para encontrar algum registro do beneficiário. No começo, a contagem partia do mês de aniversário do titular. A Portaria MPS nº 723, de 8 de março de 2024, mudou a referência: o prazo passou a valer “nos 10 (dez) meses posteriores à sua última realização ou atualização”. A mudança foi noticiada pela Agência Brasil em março de 2024.
Na prática, quem se vacinou, renovou um documento ou foi atendido numa unidade de saúde já tem a prova de vida renovada sem perceber, e o relógio volta a contar a partir daí.
Quem não aparece nas bases recebe aviso oficial
Quando o cruzamento não encontra nada, o beneficiário é notificado. O INSS cita como canais o Meu INSS, a Central 135 e o banco pagador, e o material de perguntas e respostas fala em 60 dias após o comunicado para regularizar. Em maio de 2026, o aviso passou a chegar também pelo WhatsApp, enviado pela conta oficial “Governo do Brasil” com selo azul de verificação, e aparece na caixa postal do aplicativo Gov.br, segundo a Agência Brasil.
Para resolver, há três caminhos:
- aplicativo Meu INSS, para quem tem conta prata ou ouro no Gov.br;
- aplicativo Gov.br, na opção “Prova de Vida”, com reconhecimento facial;
- banco que paga o benefício, na agência ou no aplicativo, quando houver biometria facial.
A lei permite bloquear o pagamento por falta de comprovação de vida, mas o governo suspendeu esse bloqueio mais de uma vez. A Portaria MPS nº 723 o suspendeu até 31 de dezembro de 2024, e a Portaria MPS nº 83, publicada em 17 de janeiro de 2025, estendeu a suspensão por seis meses a partir de 1º de janeiro de 2025, prorrogáveis por igual período. Mesmo assim, quem recebe a convocação não deve esperar: o INSS dá prazo para a regularização.
O INSS não manda link nem cobra nada pela prova de vida
O aviso verdadeiro virou isca para golpistas. Segundo o INSS, citado pela Agência Brasil, as mensagens oficiais não enviam links externos e não pedem senha, CPF, endereço nem dados bancários. O órgão também nunca pede pagamento por Pix ou de qualquer outra forma e não envia servidores à casa dos segurados para recolher documentos ou fazer a prova de vida.
Na dúvida, o caminho seguro é consultar a situação direto no site ou aplicativo Meu INSS, na caixa postal do Gov.br, no extrato do benefício ou na Central 135, que atende de segunda a sábado, das 7h às 22h. Manter endereço e telefone atualizados no Meu INSS também ajuda o instituto a localizar o beneficiário quando os dados não bastam.
Informações conferidas em 8 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



