“12 por 8” é o número que muita gente ainda ouve no consultório como sinônimo de pressão perfeita, mas a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 mudou essa leitura. Pela nova classificação, publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, a pressão só é considerada normal abaixo de 120 por 80 mmHg, e quem mede exatamente 120 por 80 passa a estar na faixa de pré-hipertensão. A mudança não transforma ninguém em paciente com doença, mas antecipa o momento de cuidar do coração.
A nova tabela coloca 120 por 80 dentro da pré-hipertensão
O documento foi elaborado em conjunto pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). O texto completo da diretriz traz a classificação para adultos a partir de 18 anos, com a pressão medida no consultório:
- Normal: sistólica abaixo de 120 e diastólica abaixo de 80 mmHg.
- Pré-hipertensão: sistólica de 120 a 139 e/ou diastólica de 80 a 89 mmHg.
- Hipertensão estágio 1: 140 a 159 e/ou 90 a 99 mmHg.
- Hipertensão estágio 2: 160 a 179 e/ou 100 a 109 mmHg.
- Hipertensão estágio 3: 180 ou mais e/ou 110 ou mais.
A classificação segue sempre o valor mais alto. Quem tem 118 por 84, por exemplo, entra em pré-hipertensão por causa da segunda medida. O diagnóstico de hipertensão continua valendo para quem mede 140 por 90 ou mais em duas ocasiões diferentes.
A categoria “pressão ótima” deixou de existir

A principal novidade está na comparação com a diretriz anterior, de 2020. Naquela versão, havia a faixa “ótima”, abaixo de 120 por 80, e a faixa “normal”, que ia de 120 a 129 na sistólica e de 80 a 84 na diastólica. Ou seja, o famoso 12 por 8 era tratado como normal.
A diretriz de 2025 explica que a classificação “PA ótima” foi removida e que esse intervalo agora se chama simplesmente “PA normal”. Já os valores de 120 a 129 e/ou de 80 a 84 mmHg, “antes considerados normais”, passaram a ser classificados como pré-hipertensão, segundo o próprio documento. Os autores afirmam que as alterações “buscam identificar precocemente indivíduos em risco e incentivar intervenções mais proativas para prevenir a progressão para HA”, sigla usada para hipertensão arterial.
Quem mede 12 por 8 não precisa de remédio, mas precisa mudar hábitos
Estar na pré-hipertensão não significa começar a tomar medicamento. A diretriz recomenda que todas as pessoas com pressão a partir de 120 por 80 adotem medidas não medicamentosas, com o objetivo de manter a pressão abaixo de 130 por 80 e reduzir o risco cardiovascular.
Para quem está na parte de cima da faixa, entre 130 e 139 e/ou entre 80 e 89, o médico deve calcular o risco cardiovascular. O documento indica o escore PREVENT para essa conta. Se o risco for alto, a recomendação é adotar mudanças de estilo de vida por três meses e, se a pressão não ficar abaixo de 130 por 80, iniciar o remédio; se o risco não for alto, a conduta é seguir com as mudanças de hábitos.
Para quem já tem hipertensão, a meta geral passou a ser abaixo de 130 por 80 mmHg, independentemente de o risco cardiovascular ser baixo, moderado ou alto. Quando o paciente não tolera esse alvo, a orientação é reduzir a pressão até o menor valor tolerado.
As metas de estilo de vida têm números definidos
O capítulo de medidas não medicamentosas da diretriz traz alvos concretos, que valem tanto para prevenir quanto para tratar:
- Sal: no máximo 2 g de sódio por dia, o que equivale a 5 g de sal de cozinha, cerca de uma colher de chá. O documento lembra que a ingestão habitual no Brasil é aproximadamente o dobro disso.
- Potássio: pelo menos 3,5 g por dia, vindos de frutas, verduras, leguminosas e oleaginosas (com exceção para pessoas com doença renal crônica).
- Álcool: até duas doses por dia para homens e uma para mulheres, evitando o consumo exagerado em uma única ocasião.
- Atividade física: ao menos 150 minutos por semana de exercício aeróbico moderado ou 75 minutos de exercício vigoroso, além de levantar e se movimentar por 5 minutos a cada 30 minutos sentado.
- Peso: índice de massa corporal abaixo de 25 kg/m² em adultos e circunferência abdominal abaixo de 102 cm em homens e de 88 cm em mulheres.
A diretriz também recomenda o padrão alimentar DASH, rico em frutas, hortaliças e laticínios pobres em gordura. Sobre o sal rosa do Himalaia e o sal marinho, o texto avisa que eles têm o mesmo teor de sódio que o sal comum.
Medir em casa do jeito certo ajuda a confirmar o número
Uma única medida alta não fecha diagnóstico. A diretriz recomenda o uso de aparelho automático de braço e incentiva a monitorização residencial (MRPA) ou ambulatorial de 24 horas (MAPA) para confirmar a hipertensão e acompanhar o tratamento. Na monitorização residencial, o protocolo prevê três medidas pela manhã e três à noite, de 4 a 6 dias em uma semana, com média considerada normal abaixo de 130 por 80.
Antes de medir, a orientação é ficar 30 minutos sem fumar, comer ou tomar café, 90 minutos sem exercício, esvaziar a bexiga e permanecer sentado por 5 minutos, de costas apoiadas, pernas descruzadas e sem falar. O braço deve estar nu e apoiado na altura do coração. O resumo da classificação também aparece no material de apresentação divulgado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, e a ficha da publicação está na página dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia.
Se as suas medidas ficam entre 120 por 80 e 139 por 89, leve os registros para a próxima consulta e converse com um médico ou outro profissional de saúde sobre o seu risco e as mudanças mais adequadas para o seu caso.
Informações conferidas em 8 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



