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Bem-estar

Caminhar depois dos 60 ajuda, mas não basta: os músculos também pedem treino de força pelo menos duas vezes por semana

by Joao Victor
02/11/2026
in Bem-estar
[email protected]

Publicado em 02/11/2026 às 18:00

Idosa se levanta da cadeira sem apoiar as mãos, segurando halteres leves, em aula de fortalecimento

Idosa se levanta da cadeira sem apoiar as mãos, segurando halteres leves, em aula de fortalecimento. Imagem gerada por IA.

Alterado em 02/11/2026 às 18:00

Idosa se levanta da cadeira sem apoiar as mãos, segurando halteres leves, em aula de fortalecimento. Imagem gerada por IA.

Para pessoas mais velhas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana, além da atividade aeróbica, como a caminhada. A diretriz, publicada em novembro de 2020, também pede atividades que combinem equilíbrio e força em três dias ou mais, para manter a capacidade funcional e prevenir quedas.

No Brasil, o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, segue a mesma linha no capítulo dedicado aos idosos: fortalecimento e equilíbrio de duas a três vezes por semana, em dias alternados.

A diretriz da OMS separa caminhada, força e equilíbrio em metas diferentes

As Diretrizes da OMS sobre Atividade Física e Comportamento Sedentário tratam o público de 65 anos ou mais com três metas que se somam, e não uma no lugar da outra. Resumo do que o documento pede por semana:

Idoso treina equilíbrio em uma perna só na praça, com a mão apoiada de leve no encosto do banco
Idoso treina equilíbrio em uma perna só na praça, com a mão apoiada de leve no encosto do banco. Imagem gerada por IA.
  • Aeróbico: de 150 a 300 minutos de intensidade moderada, ou de 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa, ou uma combinação das duas.
  • Fortalecimento muscular: em 2 dias ou mais, com intensidade moderada ou maior, trabalhando todos os grandes grupos musculares.
  • Equilíbrio e força combinados: atividade variada, chamada de multicomponente, em 3 dias ou mais, com ênfase em equilíbrio funcional e treino de força.
  • Tempo sentado: limitar o tempo sedentário e trocar parte dele por atividade de qualquer intensidade, inclusive leve.

Ou seja, a caminhada cobre a parte aeróbica, mas não substitui as outras duas. Na parte de evidências, a OMS descreve os programas multicomponentes como combinações de treino de equilíbrio, força, resistência, marcha e função física. No anúncio das diretrizes, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) resumiu que pessoas com 65 anos ou mais devem adicionar atividades de equilíbrio, coordenação e fortalecimento muscular “para ajudar a prevenir quedas e melhorar a saúde”.

O guia brasileiro pede dias alternados e cita costas, abdômen, braços e pernas

O guia do Ministério da Saúde, lançado em 2021, tem um capítulo próprio para idosos. Nele, a recomendação aeróbica é de pelo menos 150 minutos por semana de atividade moderada, ou pelo menos 75 minutos de atividade vigorosa, com a possibilidade de misturar as duas.

Para fortalecimento e equilíbrio, o texto orienta atividades “de duas a três vezes por semana em dias alternados”, envolvendo os principais grupos musculares: costas, abdômen, braços e pernas. O objetivo declarado é melhorar a capacidade de fazer as atividades do dia a dia e prevenir quedas.

Entre as opções de programas orientados citadas no capítulo estão musculação, hidroginástica, treinamento funcional, pilates, yoga, alongamento e dança. No trabalho, o guia sugere subir escadas em vez de usar o elevador.

A perda de força com a idade tem nome: sarcopenia

A força muscular atinge o pico entre os 25 e os 30 anos e depois começa a cair de forma natural, segundo a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. Quando essa perda se intensifica a ponto de afetar a autonomia, ela passa a ser chamada de sarcopenia. A geriatra Lilian de Fatima Costa Faria, da Área Técnica de Saúde do Idoso da secretaria, explicou na ocasião: “É um processo natural e progressivo, mas pode ser revertido ou monitorado para se evitar a perda da capacidade funcional”.

O consenso europeu revisado sobre o tema, publicado na revista científica Age and Ageing, define a sarcopenia como um distúrbio progressivo e generalizado dos músculos esqueléticos, associado a maior probabilidade de quedas, fraturas, incapacidade física e morte. O grupo de especialistas passou a usar a força muscular baixa como o principal parâmetro para identificar o problema, à frente da quantidade de massa.

O peso desse tema cresce porque o movimento tende a diminuir justamente nessa fase. A OMS estima que 31% dos adultos no mundo, cerca de 1,8 bilhão de pessoas, não fazem atividade física suficiente, e aponta que os níveis de inatividade sobem entre homens e mulheres depois dos 60 anos.

Começar com pouco e aumentar aos poucos é a orientação das duas diretrizes

Nenhum dos documentos exige que a pessoa já comece cumprindo a meta inteira. A OMS afirma que fazer alguma atividade física é melhor do que não fazer nenhuma, que os mais velhos devem começar com pequenas quantidades e aumentar a frequência, a intensidade e a duração com o tempo, e que cada um deve ser tão ativo quanto a sua capacidade funcional permitir.

O guia brasileiro vai na mesma direção e reúne cuidados práticos para quem está começando:

  • escolher atividades de que goste e aumentar a quantidade e a intensidade aos poucos;
  • respeitar os próprios limites, sabendo que alguma dor muscular no início pode acontecer;
  • não prender a respiração durante o exercício;
  • levantar devagar depois de ficar sentado ou deitado, para evitar tontura e quedas;
  • usar óculos, muleta ou aparelho auditivo, se for o caso, e preferir locais seguros e bem iluminados;
  • quem tem pressão alta, diabetes, asma ou excesso de peso deve começar com sessões curtas, de intensidade leve a moderada, e aumentar a intensidade e a duração aos poucos.

Em caso de lesão ou desconforto fora do comum, o guia orienta procurar a Unidade Básica de Saúde. Cada pessoa tem um histórico diferente, por isso o ideal é conversar com um médico ou profissional de educação física para montar um plano de exercícios adequado à sua condição.

Leia também: Quedas somaram 194 mil internações de idosos no SUS em 2025, quase seis vezes mais que os acidentes de transporte: o que mudar em casa, segundo o Ministério da Saúde; Café todo dia: duas a três xícaras aparecem ligadas a menos doença do coração em estudo com 449 mil pessoas, mas FDA e agência europeia indicam teto de cafeína.

Informações conferidas em 29 de outubro de 2026 nas fontes citadas.

Tags: atividade físicaidosossarcopeniatreino de força
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