Tomar de duas a três xícaras de café por dia esteve associado a menor risco de doença cardiovascular e de morte num estudo que acompanhou 449.563 adultos do Reino Unido por cerca de 12 anos, publicado em 2022 no European Journal of Preventive Cardiology. O benefício tem limite: a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) usam como referência, para adultos saudáveis, até 400 mg de cafeína por dia. Na gravidez, a referência europeia cai para 200 mg diários.
O cafezinho é quase uma instituição no Brasil: oferecido na chegada de uma visita, servido depois do almoço, tomado em pé no balcão da padaria ou na pausa do trabalho. Saber quanto café faz bem e quanto passa do ponto interessa a muita gente.
O limite seguro para adultos saudáveis é de 400 mg de cafeína por dia
Em parecer científico publicado em maio de 2015, a EFSA concluiu que consumir até 400 mg de cafeína por dia, somando todas as fontes, não traz preocupação de segurança para adultos saudáveis da população em geral, com exceção das grávidas. A mesma avaliação fixou outras referências:
- dose única de até 200 mg para adultos saudáveis, inclusive menos de duas horas antes de exercício intenso;
- até 200 mg por dia, de todas as fontes, para grávidas e mulheres que amamentam;
- 3 mg por quilo de peso corporal por dia como nível de segurança para crianças e adolescentes.
A FDA cita o mesmo número de 400 mg por dia como quantidade que, em geral, não está associada a efeitos negativos em adultos saudáveis. A agência americana ressalta que há grande variação na sensibilidade das pessoas à cafeína e na velocidade com que o corpo a elimina, e que certas condições de saúde e alguns medicamentos aumentam essa sensibilidade.
Uma xícara de café coado tem cerca de 90 mg de cafeína, segundo a EFSA

Para traduzir o limite em xícaras, a EFSA publica valores aproximados por porção:
- espresso de 60 ml: cerca de 80 mg;
- xícara de café de filtro de 200 ml: cerca de 90 mg;
- xícara de chá preto de 220 ml: cerca de 50 mg;
- lata de refrigerante de cola de 355 ml: cerca de 40 mg;
- lata de energético de 250 ml: cerca de 80 mg;
- barra de 50 g de chocolate amargo: cerca de 25 mg.
A agência avisa que os valores são aproximados e que o limite vale para a cafeína de todas as fontes somadas. A FDA dá faixas ainda mais largas: um copo de 12 onças (cerca de 355 ml) de café coado comum pode ter de 113 mg a 247 mg; segundo a agência, 400 mg equivalem a cerca de dois a três copos desse tamanho. O café descafeinado não zera a conta: segundo a FDA, uma xícara de 8 onças (cerca de 240 ml) costuma ter de 2 mg a 15 mg.
Estudo com 449 mil pessoas associou o consumo moderado a menos doença cardiovascular
O estudo de David Chieng, Peter Kistler e colegas usou dados do UK Biobank. Os participantes, de 40 a 69 anos e sem arritmia ou doença cardiovascular no início, informaram quantas xícaras tomavam e de que tipo de café. Segundo o artigo científico e o comunicado da Sociedade Europeia de Cardiologia, de 27 de setembro de 2022 (uma terça-feira), na comparação com quem não tomava café, duas a três xícaras por dia estiveram associadas a:
- chance de morte 27% menor para o café moído, 14% menor para o descafeinado e 11% menor para o solúvel;
- chance de doença cardiovascular 20% menor para o moído, 9% menor para o solúvel e 6% menor para o descafeinado;
- risco de arritmia 12% menor para o café solúvel; no moído, a maior redução (17%) apareceu com quatro a cinco xícaras, e o descafeinado não mostrou efeito sobre arritmias.
No comunicado, Kistler afirmou que o consumo leve a moderado de café moído, solúvel e descafeinado “should be considered part of a healthy lifestyle” (deve ser considerado parte de um estilo de vida saudável).
A pesquisa mostra associação, não prova que o café protege o coração
O trabalho é observacional: mostra que quem tomava café nessas quantidades adoeceu menos, mas não prova que o café seja a causa. O estudo tem limitações, como o consumo informado pelos participantes uma única vez, no início, a falta de ajuste para atividade física e uma amostra formada em mais de 90% por pessoas brancas. A relação com arritmias teve formato de U, ou seja, a vantagem não continua crescendo com mais xícaras.
Gestantes, crianças e quem tem arritmia, ansiedade ou insônia precisam de mais cuidado
A FDA lista os sinais de cafeína em excesso: coração acelerado, palpitações, pressão alta, insônia, ansiedade, tremores, mal-estar no estômago, náusea e dor de cabeça. Também afirma que efeitos tóxicos, como convulsões, podem aparecer com o consumo rápido de cerca de 1.200 mg. Os grupos que merecem atenção são:
- grávidas, mulheres tentando engravidar e quem amamenta, que devem conversar com o profissional de saúde sobre limitar a cafeína;
- crianças e adolescentes, para quem especialistas desaconselham energéticos; abaixo de 2 anos, bebidas com cafeína devem ser evitadas, segundo a FDA;
- quem tem arritmia, ansiedade ou usa remédios que aumentam a sensibilidade à cafeína;
- quem dorme mal: segundo a EFSA, uma dose de 100 mg perto da hora de deitar pode alterar a duração e o padrão do sono em alguns adultos.
Para quem quer diminuir, a FDA recomenda cortar aos poucos, porque a abstinência de cafeína não é perigosa, mas pode ser desagradável. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta: para saber quanto café cabe na sua rotina, sobretudo se você tem alguma doença do coração ou usa medicamentos, procure um médico ou outro profissional de saúde.
Informações conferidas em 8 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



