Um tapete solto no corredor, que escorrega quando alguém pisa na ponta, é exatamente o tipo de risco que o Ministério da Saúde manda tirar do caminho de quem tem 60 anos ou mais. Em 2025, as quedas responderam por 194.414 internações de idosos pagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quase metade de todas as internações dessa faixa etária por causas externas, segundo o sistema de informações hospitalares do SUS. O ministério lembra que a maioria das quedas acontece dentro de casa, e é ali que estão as mudanças mais simples.
Quedas lideram as internações de idosos por acidentes no SUS
Os números são do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), consultados no TabNet do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), na tabela de morbidade hospitalar por causas externas, com as internações processadas de janeiro a dezembro de 2025:
- pessoas de 60 anos ou mais: 412.142 internações por causas externas, das quais 194.414 por quedas (47%);
- acidentes de transporte, somados, levaram a 32.588 internações na mesma faixa etária, quase seis vezes menos;
- de 60 a 69 anos, as quedas foram 40% das internações por causas externas; de 70 a 79 anos, 48%;
- a partir dos 80 anos, a fatia sobe para 58%: 58.349 de 100.014 internações.
Em média, são cerca de 530 internações de idosos por queda a cada dia. A conta inclui apenas o que foi pago pelo SUS (hospitais públicos e conveniados) e conta internações, não pessoas: quem foi internado duas vezes aparece duas vezes.
O retrato mundial é parecido. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 684 mil pessoas morrem por quedas a cada ano, o que faz delas a segunda maior causa de morte por lesão não intencional no mundo. Segundo a entidade, os adultos com mais de 60 anos são os que mais sofrem quedas fatais, e o risco de morte ou lesão grave aumenta com a idade.
A casa concentra a maior parte dos tombos

Na página sobre saúde da pessoa idosa, o Ministério da Saúde cita estimativa da OMS de que cerca de 28% das pessoas idosas sofrem ao menos uma queda por ano. O texto afirma que as quedas não devem ser consideradas normais do envelhecimento e que podem causar fraturas, traumatismos cranianos, contusões e medo de cair, o que leva muita gente a se movimentar menos.
As orientações do ministério para o ambiente doméstico incluem:
- evitar tapetes soltos, fixá-los bem no chão e preferir os antiderrapantes;
- manter a casa livre de obstáculos, como móveis mal posicionados ou objetos espalhados;
- garantir boa iluminação e deixar uma luz acesa à noite, caso seja preciso levantar;
- instalar barras de apoio, especialmente no banheiro;
- ter corrimão dos dois lados nas escadas e corredores, se possível;
- evitar encerar o chão e andar em piso molhado ou escorregadio;
- usar sapatos fechados, com solado firme e antiderrapante;
- ter cuidado com animais de estimação circulando pela casa.
Uma dica mais antiga da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS MS) detalha o banheiro e o quarto: tapete antiderrapante ao lado do box, tiras antiderrapantes no chão do chuveiro, ducha móvel, cadeira de plástico firme para o banho e iluminação no caminho entre a cama e o banheiro. A mesma orientação recomenda manter fios e extensões fora das áreas de passagem e nunca andar só de meias.
Remédios, visão e equilíbrio também entram na conta
Arrumar a casa não resolve tudo. A OMS aponta como fatores de risco os efeitos colaterais de medicamentos, a inatividade física, a perda de equilíbrio e a visão ruim. Entre as intervenções que a entidade considera eficazes para idosos estão treino de marcha, equilíbrio e funcionalidade, tai chi, avaliação e adaptação da casa, redução ou retirada de remédios psicotrópicos (com orientação médica) e vitamina D para quem tem deficiência dela.
No Brasil, a página do ministério sobre uso seguro de medicamentos alerta que a polifarmácia, definida como o uso regular de cinco ou mais remédios ao mesmo tempo, aumenta as chances de interações medicamentosas e de quedas quando não é acompanhada pela equipe de saúde. A recomendação é não tomar remédio por conta própria e levar às consultas a lista de tudo o que se usa, inclusive o que é comprado sem receita.
O ministério ainda orienta fazer exames de vista com regularidade e atualizar os óculos, avaliar os pés periodicamente (sobretudo quem tem diabetes) e praticar atividades que fortaleçam os músculos e melhorem o equilíbrio.
Contar a queda à equipe de saúde é o primeiro passo
Muita gente esconde o tombo para não preocupar a família. O Ministério da Saúde pede o contrário: informar à equipe de saúde se houve quedas ou desequilíbrios nos últimos 12 meses e conversar com familiares e cuidadores sobre tropeços. Uma queda, segundo o órgão, funciona como sinal de alerta para melhorar os cuidados.
Na prática, uma volta pela casa com olhar atento já ajuda: prender ou retirar aquele tapete do corredor, liberar a passagem até o banheiro, trocar lâmpadas fracas e conferir se o chinelo ainda segura o pé. Se o profissional indicar, bengala ou andador devem ser usados conforme a orientação recebida.
Este conteúdo é informativo e não garante que nenhuma queda vá acontecer. Para avaliar o risco de quedas, os remédios em uso e os exercícios adequados a cada caso, procure um médico ou outro profissional de saúde.
Informações conferidas em 8 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



