A pessoa idosa sente menos sede, e isso pesa nos dias quentes: nota técnica do Ministério da Saúde sobre ondas de calor cita a “menor sensação de sede” e o menor teor de água no organismo entre os maiores riscos dessa faixa etária. Por isso, esperar o pedido de um copo d’água não basta. O documento lista os sinais que familiares e cuidadores devem observar, como pele pálida, fria e pegajosa, cãibras, pulso rápido e fraco, cansaço e confusão mental.
O corpo mais velho guarda menos água e avisa menos
A orientação está na Nota Técnica nº 38/2023, da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) do ministério, assinada em setembro de 2023 e dedicada à atenção à saúde da criança e da pessoa idosa durante ondas de calor. Segundo o texto, os mecanismos de controle da temperatura funcionam pior com a idade e, somados à maior frequência de doenças respiratórias e cardiovasculares, aumentam o risco de complicações, sobretudo com umidade alta e esforço físico.
Na prática, o idoso pode passar a tarde inteira sem reclamar de sede e, mesmo assim, estar perdendo líquido. A nota manda estimular a pessoa a beber ou oferecer a ela mais líquidos do que o habitual para prevenir a desidratação, em vez de esperar que ela peça.

Os sinais que o Ministério da Saúde manda observar
Para as pessoas idosas, a nota técnica descreve o que a exposição ao calor excessivo pode provocar. Vale ter a lista à mão nos dias de temperatura alta:
- transpiração intensa;
- pele pálida, fria e pegajosa;
- cãibras musculares;
- pulso rápido e enfraquecido;
- fadiga, náuseas e dor de cabeça;
- confusão mental e desmaios.
Entre os critérios de gravidade da desidratação, o mesmo documento cita saliva espessa, respiração alterada, coração acelerado, extremidades frias, perda de peso e alteração do nível de alerta. A página sobre ondas de calor do ministério resume os principais sinais de alerta (transpiração excessiva, fraqueza, tontura, náuseas, dor de cabeça, cãibras e diarreia) e orienta, nesses casos, procurar a unidade de saúde mais próxima para avaliação.
O xixi também dá pistas. O serviço público de saúde do Reino Unido, o National Health Service (NHS), inclui entre os sintomas de desidratação a urina amarelo-escura e com cheiro forte, urinar menos que o normal, boca e lábios secos, tontura e cansaço, e lembra que idosos estão entre os mais expostos ao problema.
Remédios e doenças deixam alguns idosos mais vulneráveis
A nota técnica aponta quem sente mais o impacto do calor dentro dessa faixa etária: idosos com histórico de problemas nos rins ou respiratórios, idosos com obesidade, com doenças cardiovasculares e os que usam diuréticos ou tomam muitos medicamentos ao mesmo tempo. Para qualquer idade, o documento soma como fatores de risco beber pouco líquido, exagerar no álcool ou na cafeína, ter gastroenterite e usar remédios para pressão, antidepressivos ou antipsicóticos.
A página do ministério sobre ondas de calor acrescenta que quem tem doença preexistente deve acompanhar de perto os sintomas e ajustar a medicação conforme orientação médica. Ou seja: nada de suspender o remédio por conta própria por causa do calor; a mudança é conversa para o consultório.
Pele quente e seca com confusão pode ser insolação, e aí o caminho é o SAMU 192
O quadro mais grave é a insolação, que, segundo a página do Ministério da Saúde sobre insolação, acontece quando a temperatura do corpo passa dos 40 °C, a transpiração falha e o organismo não consegue se resfriar. Os primeiros sinais, de acordo com a nota técnica, são dor de cabeça, tontura, náusea, pele quente e seca, pulso rápido, temperatura elevada, alterações na visão e confusão mental. Com mais tempo de exposição podem surgir respiração acelerada, palidez, desmaio, convulsão, extremidades arroxeadas e fraqueza muscular.
A página do ministério afirma que a insolação pode ser fatal e que o atendimento médico deve ser imediato. Em casos graves, a orientação é levar a pessoa ao hospital ou chamar o SAMU, no 192. Enquanto a ajuda não chega, os primeiros socorros listados são estes:
- levar a pessoa para um local fresco, à sombra e ventilado;
- se estiver consciente, mantê-la em repouso, recostada e com a cabeça elevada;
- oferecer água fria ou outro líquido sem álcool;
- borrifar água fria no corpo com delicadeza e aplicar compressas frias na testa, no pescoço, nas axilas e nas virilhas.
Em casa, a prevenção começa pelo copo oferecido
As medidas de prevenção da nota técnica são simples e cabem na rotina da família ou do cuidador:
- Líquidos: reforçar a hidratação e evitar bebidas alcoólicas e cafeína; a página sobre ondas de calor fala em beber água regularmente, mesmo sem sede.
- Ambiente: buscar lugares frescos e ventilados e usar equipamentos de resfriamento quando houver, como ventilador ou ar-condicionado, cuidado que vale também para abrigos e Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI).
- Corpo: em calor excessivo, panos úmidos com água fresca nos punhos, no rosto e atrás do pescoço ajudam a baixar a temperatura.
- Roupa e horário: roupas leves e largas, proteção contra o sol e nada de atividade física nos horários de sol forte, especialmente entre 10h e 15h.
- Companhia: fortalecer a rede de apoio e evitar que o idoso fique isolado.
Esse último ponto faz diferença: o idoso que mora sozinho pode não perceber que está desidratando, e um telefonema ou uma visita no meio da tarde permite notar a fala confusa, a pele fria ou o cansaço fora do comum. A nota também recomenda ensinar pacientes e acompanhantes a reconhecer os sinais de desidratação e voltar ao serviço de saúde para reavaliação quando necessário. Para ajustar a quantidade de líquido, a dieta ou os remédios de cada pessoa, o passo seguro é procurar um médico ou a unidade básica de saúde para orientação individual.
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Informações conferidas em 19 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



