Pouco menos de uma colher de chá: é assim que a Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve o limite diário de sal para adultos, que é de menos de 5 gramas, o equivalente a menos de 2 gramas de sódio. No Brasil, o exame de urina da Pesquisa Nacional de Saúde estimou um consumo médio de 9,34 gramas por dia, quase o dobro. A ficha da OMS sobre redução de sal, atualizada em maio de 2026, mantém essa recomendação.
Os números principais, para guardar:
- Limite da OMS para adultos: menos de 5 g de sal por dia (menos de 2.000 mg de sódio), pouco menos de uma colher de chá.
- Média brasileira estimada: 9,34 g de sal por dia (9,63 g entre homens e 9,08 g entre mulheres).
- Quem fica abaixo de 5 g: apenas 2,4% dos adultos avaliados.
- Selo na embalagem: lupa com “alto em sódio” a partir de 600 mg por 100 g (sólidos) ou 300 mg por 100 ml (líquidos).
O limite da OMS é menos de 5 gramas de sal, ou 2 gramas de sódio, por dia
Sal e sódio não são a mesma coisa: o sal de cozinha é cloreto de sódio, e a tabela nutricional mostra o sódio. Pela conta da OMS, menos de 2.000 mg de sódio equivalem a menos de 5 g de sal, o que a própria organização descreve como pouco menos de uma colher de chá.
A mesma ficha estima que a média mundial de consumo entre adultos foi de 11 g de sal por dia em 2021, mais do que o dobro do limite. A OMS aponta o aumento da pressão arterial como o principal efeito de uma dieta rica em sódio, e liga o excesso a doenças do coração e dos vasos, ao câncer de estômago e a doenças dos rins, entre outros problemas.
Exame de urina de mais de 8 mil brasileiros apontou consumo médio de 9,34 gramas

O número brasileiro vem de um estudo publicado em 2019 na Revista Brasileira de Epidemiologia, com dados laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os pesquisadores mediram o sódio em amostras de urina e, a partir delas, estimaram o consumo médio de sal em 9,34 g por dia. Foram analisadas 8.083 amostras.
Os homens comem mais sal (9,63 g por dia) do que as mulheres (9,08 g). Só 2,4% dos participantes estavam abaixo dos 5 g recomendados, e cerca de 13% chegavam a 12 g ou mais por dia. A conclusão dos autores é que o consumo médio da população brasileira é aproximadamente o dobro da recomendação da OMS. Na época, a Agência Brasil destacou que as amostras de sangue e urina foram coletadas entre 2013 e 2014.
Um cuidado na leitura: a medida usou uma amostra isolada de urina e uma equação para estimar o total do dia, e não a coleta de 24 horas.
A maior parte do sódio ainda vem do saleiro, mas os ultraprocessados ganham espaço
No Brasil, o grosso do sódio ainda entra na comida dentro de casa, no preparo. Um estudo publicado em 2024 nos Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz, analisou as compras de alimentos registradas nas Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE. Entre 2002-2003 e 2017-2018, a fatia do sódio vinda de ingredientes culinários, como o sal de cozinha, caiu de 66,6% para 55%, enquanto a dos ultraprocessados subiu de 17% para 25,1%.
Na prática, um quarto do sódio disponível nos lares já chega pronto, em produtos como embutidos, salgadinhos, temperos industrializados e refeições prontas. O mesmo trabalho mostra que a quantidade de sódio disponível para consumo nos domicílios subiu de 3,9 g para 4,7 g por 2.000 calorias no período, ou seja, cortar o sal da panela não basta se o carrinho de compras compensa a diferença.
A lupa de “alto em sódio” na embalagem ajuda a comparar produtos
Desde outubro de 2022, as regras de rotulagem nutricional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a RDC 429/2020 e a Instrução Normativa 75/2020, exigem um símbolo de lupa na parte de cima da frente da embalagem quando o produto tem alto teor de açúcares adicionados, gorduras saturadas ou sódio. A página da Anvisa sobre rotulagem registra a entrada em vigor em 9 de outubro de 2022.
Pelo anexo da IN 75/2020, o alerta de sódio aparece em alimentos sólidos ou pastosos com 600 mg ou mais por 100 g e em líquidos com 300 mg ou mais por 100 ml. Para comparar marcas sem selo, a tabela nutricional traz o sódio por 100 g ou 100 ml.
O Guia Alimentar indica cozinhar com pouco sal e evitar ultraprocessados
O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, resume o caminho em três recomendações que atacam as duas fontes de sódio ao mesmo tempo:
- preferir alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a ultraprocessados;
- usar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar;
- quando comprar processados, ler o rótulo e escolher os de menor teor de sal.
O guia também lembra que alho, cebola, pimentas, manjericão e coentro dão sabor intenso às preparações, o que ajuda quem quer depender menos do saleiro. Como a média brasileira passa de 9 g, a referência da colher de chá ajuda a dimensionar o tamanho do corte: o limite inteiro do dia cabe nela, somando o sal da panela e o que já vem em pães, frios e molhos prontos.
Quem tem pressão alta, doença nos rins ou do coração pode precisar de metas diferentes das da população em geral. Para ajustar o consumo de sal ao seu caso, procure um médico, um nutricionista ou outro profissional de saúde.
Informações conferidas em 8 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



