A garfada de arroz com tomate arde, o suco de laranja vira castigo e a língua não para de procurar aquela bolinha branca com borda vermelha no canto da bochecha. Na maior parte das vezes, a afta some sozinha em 10 a 14 dias, segundo o Ministério da Saúde, e dá para aliviar a dor com cuidados simples em casa. O ponto de atenção é o prazo: pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), ferida na boca ou nos lábios que não cicatriza por mais de 15 dias precisa ser examinada por dentista ou médico.
A afta costuma sarar sozinha, sem deixar cicatriz
A página de dicas da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS MS) descreve as aftas como lesões abertas, esbranquiçadas, com bordas vermelhas e dolorosas, que aparecem com frequência na língua, na parte de dentro dos lábios e nas bochechas. Sem tratamento nenhum, elas desaparecem cerca de 10 a 14 dias depois de surgir e não deixam marca.
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, em sua página sobre aftas, fala em um prazo um pouco menor, de 7 a 10 dias na maioria dos casos, e lembra que o padrão mais comum é a afta voltar de tempos em tempos. O serviço de saúde pública do Reino Unido, o NHS, resume na mesma linha: a maioria das úlceras na boca melhora em uma ou duas semanas.

A causa exata ainda não é conhecida. O Ministério da Saúde cita como possíveis gatilhos comidas muito condimentadas, frutas cítricas e ácidas, estresse, mudanças hormonais, machucados na boca e predisposição genética. O NHS acrescenta outros comuns no dia a dia:
- morder a bochecha sem querer;
- dentadura ou aparelho mal ajustado, obturação áspera ou dente quebrado com ponta;
- queimadura com comida quente ou corte com alimento duro;
- escovação forte demais;
- cansaço, estresse e ansiedade;
- falta de ferro, zinco, ácido fólico e vitaminas do complexo B e D.
Bochecho, comida mole e menos acidez ajudam a passar a fase de dor
Não existe remédio caseiro que faça a afta sumir de um dia para o outro, mas alguns cuidados reduzem a ardência enquanto ela cicatriza. O Ministério da Saúde recomenda higiene bucal adequada, alimentação menos ácida, sucos naturais que não sejam cítricos e enxaguantes bucais sem álcool.
O NHS sugere um bochecho com água morna e sal: meia colher de chá de sal dissolvida em um copo de água morna, bochechar e cuspir, quantas vezes a pessoa quiser. A mesma página lista o que costuma ajudar e o que costuma piorar:
- Ajuda: escova de cerdas macias, bebidas frias tomadas com canudo, comidas mais moles e consultas regulares ao dentista.
- Piora: comida muito apimentada, salgada ou ácida; alimentos duros e crocantes, como torrada e salgadinho de pacote; bebidas muito quentes ou ácidas, como suco de fruta; e creme dental com lauril sulfato de sódio.
Pomadas e analgésicos podem aliviar a dor, mas o Ministério da Saúde orienta que sejam indicados pelo dentista. A secretaria goiana menciona ainda o enxaguante antisséptico para diminuir a irritação.
Ferida que passa de 15 dias precisa ser vista por um profissional
O prazo que separa a afta comum de um caso que merece exame aparece na página do Inca sobre câncer de boca. O primeiro sinal da lista são feridas ou úlceras na boca ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias. O instituto também cita manchas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, na gengiva, no céu da boca ou na bochecha, caroços nos lábios, na boca ou no pescoço e rouquidão que não passa.
O próprio Inca ressalta que esses sinais podem ter outras causas, e por isso a avaliação é tão importante: só o exame diz o que é. O risco é maior em fumantes, em quem bebe álcool (principalmente junto com o cigarro), em pessoas acima de 50 anos e em quem trabalha muito exposto ao sol sem proteção, no caso do lábio.
O NHS usa um prazo mais longo, de três semanas, para procurar médico ou dentista, mas lista outros motivos para não esperar tanto:
- afta diferente das que a pessoa costuma ter, maior ou perto do fundo da garganta;
- sangramento, ou ferida que fica mais dolorida e mais vermelha, sinais de possível infecção;
- feridas também em outras partes do corpo, como pele ou região genital;
- articulações doloridas, vermelhas ou inchadas junto com as aftas.
O Ministério da Saúde chama atenção para outro detalhe: é importante diferenciar a afta da lesão provocada pelo herpes, que tem tratamento diferente.
Aftas que voltam sempre também merecem investigação
Ter uma afta de vez em quando é comum. Quando elas aparecem várias ao mesmo tempo ou voltam com muita frequência, o NHS lembra que podem estar ligadas a outras condições, como doença celíaca, doença de Crohn, líquen plano oral, doença mão-pé-boca ou imunidade baixa. Alguns remédios também entram na lista de gatilhos, entre eles certos anti-inflamatórios e betabloqueadores.
Nesses casos, vale anotar quando cada afta surgiu, quanto tempo durou e o que mudou na rotina naquela semana (estresse, um alimento novo, um remédio recente, troca de creme dental). Essas anotações ajudam o dentista ou o médico a procurar a causa. No SUS, a porta de entrada é a unidade básica de saúde, onde há atendimento de saúde bucal.
Na fase de dor, o caminho mais seguro é cuidar da higiene com escova macia, trocar o que arde por comida morna e mole, fazer o bochecho de água com sal e marcar no calendário o dia em que a ferida apareceu. Passados 15 dias sem melhora, ou diante de qualquer sinal fora do comum, a orientação é procurar um dentista ou médico para uma avaliação individual.
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Informações conferidas em 29 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



