O pano pendurado na alça do forno seca a louça de manhã, passa na bancada depois do almoço e ainda enxuga as mãos de quem acabou de temperar o frango. Esse hábito tem nome na pesquisa: um estudo com 100 panos de cozinha, apresentado em junho de 2018 num congresso da Sociedade Americana de Microbiologia (ASM), encontrou crescimento de bactérias em 49% deles após um mês de uso, com contagens maiores nos panos úmidos e nos que serviam para várias tarefas. A recomendação de órgãos de segurança alimentar é trocar o pano com frequência, de preferência todo dia, lavar em ciclo quente e só usar de novo depois de seco.
Panos úmidos e multiuso tiveram mais bactérias no estudo
A pesquisa foi conduzida na Universidade de Maurício, na África, pela professora Susheela Biranjia-Hurdoyal, do Departamento de Ciências da Saúde, e apresentada no ASM Microbe 2018, em Atlanta, nos Estados Unidos. Segundo o comunicado divulgado pela ASM, os 100 panos foram recolhidos depois de um mês de uso em casas comuns.
Entre os 49 panos com crescimento bacteriano, os pesquisadores identificaram:

- Coliformes: em 36,7% das amostras positivas;
- Enterococos: também em 36,7%;
- Staphylococcus aureus: em 14,3%.
A quantidade de bactérias aumentava conforme o tamanho da família e era maior em casas com crianças. Os panos usados para mais de uma função (secar louça, limpar superfície, segurar panela, enxugar as mãos) tinham contagens maiores do que os de uso único, e os úmidos, maiores do que os secos. O risco de coliformes foi mais alto nos panos úmidos, nos multiuso e nas casas que cozinhavam carne. A orientação final da pesquisadora foi desestimular o uso de panos úmidos e o uso do mesmo pano para tudo.
A bactéria do pano pode chegar ao prato
O ponto central não é o pano em si, mas o caminho que ele faz. Um pano que passou no suco de carne crua e depois seca um prato limpo leva microrganismos de um lugar para outro. A divulgação do estudo lembra que a Escherichia coli vive no intestino humano e que a presença dela indica possível contaminação fecal e falta de práticas de higiene.
A Food Standards Agency (FSA), agência de segurança alimentar do Reino Unido, coloca os panos entre as principais causas de contaminação cruzada na cozinha. No guia sobre panos, o órgão afirma que pano sujo espalha bactérias e alergênicos com muita facilidade e que pano mal seco aumenta o risco de bactérias.
A umidade é o detalhe que mais pesa. Um pano dobrado e molhado em cima da pia, ou embolado na alça do forno, demora a secar e fica horas em condição favorável para os microrganismos se multiplicarem.
Como lavar o pano de prato do jeito certo
As orientações oficiais convergem em três pontos: calor, sabão e secagem completa.
- Máquina no ciclo quente: a FSA indica, como ideal, lavar os panos na máquina num ciclo bem quente e cita o ciclo de 90 °C como temperatura adequada.
- Água fervente: o serviço de segurança alimentar do Conselho de Torbay, na Inglaterra, recomenda lavar o pano com água quente e detergente depois de cada uso, mergulhar em água fervente por 2 minutos e deixar secar ao ar antes de usar de novo.
- Secagem total: o pano precisa secar por completo antes de voltar ao uso. A Extensão da Universidade de Nebraska-Lincoln orienta secar bem, em temperatura alta na secadora; o conselho inglês indica deixar secar ao ar.
Esticar o pano num varal ou num suporte aberto, longe do vapor do fogão, ajuda a secagem. Deixá-lo dobrado na bancada molhada faz o contrário.
De quanto em quanto tempo trocar o pano
A Extensão da Universidade de Nebraska-Lincoln diz que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) recomenda trocar os panos com frequência e que a orientação mais comum é trocar todos os dias. Há uma exceção que não espera o fim do dia: pano que encostou em líquido de carne crua, frango ou peixe vai direto para a lavagem.
A FSA acrescenta que os panos devem ser lavados, desinfetados e secos entre as tarefas, e não só quando parecem sujos. O Conselho de Torbay recomenda substituir os panos regularmente, principalmente quando estiverem esgarçados ou rasgados.
Na prática, a rotina fica assim:
- começar o dia com pano limpo e seco;
- separar panos por função: um para louça, outro para as mãos, outro para a bancada;
- usar papel toalha ou pano descartável sempre que possível, como sugere a FSA, principalmente para sujeira de carne crua;
- ter panos suficientes para trocar sem precisar reaproveitar um ainda úmido;
- descartar o pano gasto, furado ou com cheiro que não sai na lavagem.
Casas com crianças e idosos pedem atenção redobrada
O estudo associou famílias maiores e com crianças a mais bactérias nos panos, e a pesquisadora destacou que famílias grandes, com crianças e idosos, devem ter cuidado especial com a higiene na cozinha. São justamente os grupos em que uma intoxicação alimentar tende a pesar mais.
A troca diária e a lavagem quente reduzem o risco, mas não substituem os outros cuidados básicos: lavar as mãos antes de cozinhar, separar alimentos crus dos prontos e higienizar a bancada depois de manipular carne.
Diante de diarreia, vômitos ou febre depois de uma refeição, principalmente em crianças pequenas, idosos ou gestantes, procure um profissional de saúde para avaliação e orientação individual.
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Informações conferidas em 29 de outubro de 2026 nas fontes citadas.



