ECONOMIA
Prévia da inflação: IPCA-15 sobe 0,32% em outubro e acumula 4,62% em 12 meses
Por ECONOMIA JB
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Publicado em 23/10/2026 às 10:00
Alterado em 23/10/2026 às 20:12
Alimentação e bebidas tiveram alta Foto: Agência Brasil
A prévia da inflação oficial de outubro, medida pelo IPCA-15, ficou em 0,32%, segundo o IBGE. O resultado representa menos da metade da taxa registrada em setembro, de 0,7%, mas ainda mantém o acumulado em 12 meses em 4,62%, acima do teto da meta do governo.
No mesmo período do ano anterior, o indicador havia ficado em 0,18%. A leitura mais recente mostra alívio mensal, mas não suficiente para mudar o quadro de pressão sobre o custo de vida das famílias.
Alimentação segue como principal vilã
Entre os grupos pesquisados, alimentação e bebidas tiveram a maior alta, de 0,88%, com impacto de 0,19 ponto percentual no índice geral. Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio avançou 1,01%, acelerando em relação a setembro.
Os maiores aumentos vieram do tomate, que subiu 24,54% e foi o item individual com maior pressão sobre o IPCA-15, além de cebola, batata-inglesa e arroz. No sentido oposto, cenoura, frutas e café moído recuaram no mês.
Transportes sobem com combustíveis
O grupo transportes também contribuiu para a alta, com avanço de 0,05%. O movimento foi puxado pelos combustíveis, que subiram 1,2% em outubro. Houve elevação nos preços do diesel, etanol e gasolina, enquanto o gás veicular teve leve recuo.
Já as passagens aéreas ficaram mais baratas e ajudaram a conter o índice, com queda média de 9,24% e impacto negativo de 0,08 ponto percentual. Esse foi o subitem que mais reduziu a pressão inflacionária no mês.
Conta de luz cai e ajuda a segurar o índice
Habitação foi o único grupo com retração, de 0,10%, influenciada principalmente pela energia elétrica residencial, que caiu 0,89%. A mudança da bandeira tarifária de amarela para verde eliminou a cobrança extra nas contas de luz e ajudou a aliviar o resultado do mês.
No mês anterior, a conta de energia havia sido um dos principais motores de alta do IPCA-15. Agora, com a normalização do valor, o efeito foi inverso e contribuiu para segurar a prévia da inflação.
Meta ainda fica distante do alívio esperado
Para o economista Roberto Luis Troster, a desaceleração é positiva, mas não indica uma queda consistente dos preços. Segundo ele, a pressão continua concentrada nos alimentos, sem um alívio disseminado entre os grupos do índice.
O IPCA-15 usa metodologia parecida com a do IPCA, mas é divulgado antes do fim do mês de referência e cobre 11 localidades. O IPCA cheio de outubro será divulgado em 12 de novembro, enquanto o mercado já esperava um resultado próximo ao observado agora, segundo o boletim Focus.