Polícia Federal diz que André Mendonça levou 75 dias para decidir sobre Castro e 9 sobre Wagner
Relatório também menciona suspeitas sobre Jaques Wagner, Cláudio Castro e a divulgação de um suposto laudo falso por Nikolas Ferreira
A Polícia Federal apontou no relatório uma diferença relevante entre o tempo que o ministro André Mendonça levou para despachar materiais de investigações envolvendo diferentes figuras políticas citadas no caso Banco Master. No exemplo descrito, o material ligado ao senador Jaques Wagner teria sido apreciado em nove dias, enquanto o caso do ex-governador Cláudio Castro levou 75 dias. Ciro Nogueira também aparece na comparação, com 29 dias.
Apesar disso, os investigadores afirmam que a conclusão não é definitiva. O próprio documento ressalta que a série analisada é pequena, seletiva e sujeita a variáveis não controladas, como volume de processos, complexidade, atuação da PGR e períodos de recesso. Por isso, a PF trata o dado como apenas indiciário.
Jaques Wagner, Cláudio Castro e as suspeitas no Banco Master
O nome de Jaques Wagner passou a ser associado ao caso a partir de informações reunidas pela PF sobre o Banco Master e a atuação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, há indícios de que o senador teria feito investimentos na instituição, e seu nome teria aparecido em uma lista de clientes com valores aplicados.
A apuração também menciona a suspeita de que Wagner teria recebido um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,4 milhões, como propina do empresário Augusto Lima. O senador foi alvo de busca e apreensão na fase da Operação Compliance Zero, e a quebra de sigilo e a pressão política acabaram contribuindo para sua saída da liderança do governo Lula no Senado.
Já em relação a Cláudio Castro, a PF apontou um andamento mais lento e considerado estranho para o prosseguimento dos materiais. Segundo o relatório, o caso foi impactado por conexões do governo fluminense com contratos de fundos de previdência ligados ao Banco Master.
Nikolas Ferreira e um suposto laudo falso
O relatório também abre espaço para um segundo desdobramento político: a divulgação, por Nikolas Ferreira, de um suposto documento da Polícia Federal que o favoreceria no contexto das suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro. A PF afirma que não produziu o material e que há sinais de falsificação.
Uma análise técnica citada no texto indica que o conteúdo teria sido criado com auxílio de inteligência artificial e apresenta inconsistências em relação aos documentos oficiais da investigação. Nikolas afirma que apenas compartilhou o que recebeu e que não sabia da falsidade, mas isso não afasta, por si só, a possibilidade de apuração criminal caso fique comprovado conhecimento prévio ou participação direta na produção do documento.