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Prefeitura de SP dá mais R$ 49 milhões adita a contrato com ONG ligada a filme de Bolsonaro

Contrato com o Instituto Conhecer Brasil soma mais de R$ 157 milhões após novo aditivo e passa a ter meta reduzida e prazo estendido

Por POLÍTICA JB
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Publicado em 27/05/2026 às 11:45

Alterado em 27/05/2026 às 11:47

Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes Agência Brasil

A gestão de Ricardo Nunes, na Prefeitura de São Paulo, fez um novo aditamento ao contrato com o Instituto Conhecer Brasil, elevando o valor total para mais de R$ 157 milhões. O acréscimo de R$ 49 milhões ocorreu poucos dias após a divulgação das primeiras denúncias sobre possíveis irregularidades na contratação.

O acordo original, assinado em 2024, previa a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi em áreas periféricas da capital, com custo inicial de R$ 108 milhões. Ao longo de 2025, a prefeitura firmou quatro aditivos, sendo que os três primeiros serviram para prorrogar prazos e antecipar pagamentos. No quarto termo, assinado em 16 de dezembro de 2025, a meta caiu para 3,2 mil pontos, ou 64% do que havia sido contratado.

Quem está por trás da entidade

O Instituto Conhecer Brasil é presidido por Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A reportagem também aponta que Karina presidia a Academia Nacional de Cultura, entidade que recebeu emendas parlamentares e não entregou o projeto previsto.

No caso do ICB, a instituição também recebeu duas emendas de R$ 1 milhão cada, destinadas a projetos de incentivo ao esporte e letramento digital. Os repasses foram feitos pelo deputado federal Mario Frias, que aparece creditado como produtor-executivo e roteirista de Dark Horse e também atua no filme.

Questionamentos e investigações

As suspeitas sobre o contrato começaram antes mesmo do novo aditamento. Em dezembro do ano passado, o vereador Nabil Bonduki acionou o Ministério Público pedindo apuração do chamamento público, no qual apenas a entidade de Karina apresentou proposta. No dia seguinte, parlamentares do PSOL também solicitaram investigação sobre a responsabilidade de Ricardo Nunes.

O caso passou a ser investigado em inquérito civil e também é alvo de apuração pela Polícia Civil de São Paulo. Antes disso, o Tribunal de Contas do Município já havia apontado falhas na contratação, como a ausência de estudo técnico preliminar, fragilidade nos critérios de capacidade técnica e falta de audiências e consultas públicas.

Falhas apontadas pelo TCM e resposta da prefeitura

O relatório do TCM também criticou a possibilidade de subcontratação de empresas privadas pela organização escolhida, o que acabou sendo efetivado. Segundo o tribunal, o mapeamento da necessidade deveria ter sido feito pelo poder público, e não pela contratada, além de faltarem parâmetros técnicos para uso da internet, segurança de dados, fiscalização e monitoramento da qualidade do serviço.

Em nota, a gestão Nunes afirmou que os 3.200 pontos de Wi-Fi seguem em funcionamento e registram milhões de acessos. A prefeitura diz que o aditamento foi necessário para garantir a continuidade da prestação do serviço, incluindo manutenção da rede, sinal de internet, monitoramento em tempo real, substituição de equipamentos danificados e remanejamentos técnicos.

Conexões políticas e novos desdobramentos

O caso ganhou novos elementos com a divulgação de áudios pelo Intercept Brasil. Em um deles, o senador Flávio Bolsonaro teria pedido R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre o pai; em outro, Mario Frias agradece apoio ao projeto.

Frias também é alvo de apuração preliminar no Supremo Tribunal Federal por possível desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil. Em manifestação recente, ele negou irregularidades. Enquanto isso, a contratada e empresas ligadas a Karina seguem no centro de uma rede de relações políticas, empresariais e financeiras que continua sob questionamento. (com informações de Raphaela Ribeiro, da Agência Pública)

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