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Ex-funcionária aponta devolução de salário no gabinete de Mario Frias

Documentos bancários e relato da ex-assessora indicam repasses a aliados e familiares do deputado, além de empréstimos consignados e saques em espécie

Por POLÍTICA JB
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Publicado em 23/05/2026 às 06:09

Alterado em 23/05/2026 às 18:43

Mário Frias foi secretário de Cultura no governo Bolsonaro, que tirou da pasta o status de ministério Foto: Roberto Castro/ Mtur

Documentos apontam repasses e pagamentos

Comprovantes de pagamento e extratos bancários atribuídos à ex-funcionária do gabinete de Mario Frias indicam que ela devolveu parte do salário ao então chefe de gabinete, Raphael Azevedo, e a familiares dele. Segundo os registros obtidos pelo G1, também teriam sido feitos pagamentos de despesas ligadas à mãe e à esposa do deputado, entre fevereiro de 2023 e março de 2024.

A ex-assessora, Gardênia Morais, foi nomeada em fevereiro de 2023, ficando no gabinete até maio de 2024. De acordo com os documentos, o salário líquido variava entre R$ 10 mil e R$ 21 mil, e os valores eram transferidos de uma conta no Banco do Brasil para outra conta de sua titularidade no Itaú, de onde saíam os repasses.

 

PIX, saque em espécie e suspeita de rastreamento

Entre os comprovantes obtidos estão transferências de R$ 4.600, R$ 5.000, R$ 1.500 e R$ 4.000 para Raphael Azevedo, além de valores enviados à ex-mulher dele e a outra parente. Há também um PIX de R$ 1.000 para Maria Lucia Frias, mãe do deputado, e o pagamento de uma fatura de cartão de crédito de R$ 4.832,32 da esposa de Mario Frias.

A reportagem também teve acesso a um saque em espécie de R$ 49.999,99, feito em 27 de março de 2024. Gardênia afirmou que o dinheiro foi entregue, mas não revelou a quem. Os dados mostram ainda que depósitos de R$ 50 mil foram feitos na conta-salário em um dia, transferidos no mesmo dia para outra conta, e sacados em dinheiro vivo no dia seguinte, o que pode ter dificultado o rastreamento dos valores.

Relato da ex-assessora e empréstimos consignados

Gardênia Morais afirmou que devolvia mensalmente parte do salário conforme um acordo com Raphael Azevedo e disse que Mario Frias tinha conhecimento de tudo. Ela declarou que, em média, ficava com R$ 6 mil a R$ 7 mil por mês e que os repasses aumentavam conforme o salário subia.

Ela também disse ter contratado cinco empréstimos consignados, somando R$ 174.886, sendo apenas um para uso pessoal. Segundo seu relato, os demais teriam sido feitos a pedido do deputado e do então chefe de gabinete para quitar dívidas de campanha de 2022. A ex-funcionária afirma que os contratos permanecem em aberto e que sua situação financeira se deteriorou após as operações.

Reação dos citados 

Questionado pela reportagem, o atual chefe de gabinete, Diego Ramos, disse desconhecer as suspeitas e afirmou que ingressou no gabinete depois do período investigado. Ele declarou ainda acreditar que o deputado também não tinha conhecimento das denúncias. Mario Frias não havia se manifestado até a publicação da reportagem, e Raphael Azevedo também não respondeu aos questionamentos.

A prática de exigir a devolução de parte dos salários de assessores é conhecida como rachadinha. Embora o termo não seja um crime específico na legislação, casos assim costumam ser enquadrados pelo Ministério Público como peculato, quando há desvio de recursos públicos em benefício próprio ou de terceiros.

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