POLÍCIA

Banco Master: delação de Vorcaro cita R$ 400 milhões em propina para Ibaneis

Segundo a proposta de colaboração, o valor teria sido pedido pelo então governador para viabilizar fusão BRB-Master, com parte em espécie e parte por contrato fictício

Por JB POLÍCIA
[email protected]

Publicado em 21/10/2026 às 11:44

Alterado em 21/10/2026 às 11:44

Ibaneis Rocha Foto: José Cruz/Agência Brasil

Mensagens extraídas pela Polícia Federal e obtidas pelo UOL indicam que o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) acompanhou as negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Os diálogos mostram sua atuação nas tratativas para a aquisição do banco privado, no aumento de capital do BRB e na compra de carteiras de crédito.

Segundo o material, as conversas citam etapas sensíveis da operação financeira e sugerem que o ex-governador teria influência direta nas decisões discutidas durante o processo. As informações fazem parte de apurações que ainda dependem de verificação e contextualização pelas autoridades responsáveis.

As acusações feitas na proposta de delação

Na proposta de delação premiada, Vorcaro acusa Ibaneis de exigir R$ 400 milhões em propina para viabilizar o negócio. De acordo com o relato, metade do valor seria paga em dinheiro vivo e a outra metade por meio de um contrato fictício com um escritório de advocacia indicado pelo governador.

O banqueiro também afirma que Ibaneis ficaria com 5% do novo banco por meio de uma empresa de fachada. As alegações, porém, integram uma proposta de colaboração cuja validade ainda precisa ser apurada pelas autoridades competentes.

Supostos repasses em espécie e papel do braço direito

Vorcaro diz ainda que cerca de R$ 80 milhões teriam sido adiantados em espécie e entregues pelo motorista do banqueiro a Leonardo Valverde, apontado como braço direito de Ibaneis. Mensagens mencionam ao menos dez entregas de encomendas a uma pessoa identificada como “Léo” ou “Dr. Léo”, entre novembro de 2024 e agosto de 2025.

De acordo com a PF, a suspeita é de que se trate de Valverde. O material reforça o foco da investigação sobre o possível caminho do dinheiro e a participação de intermediários nas tratativas citadas nas mensagens.

O que ainda precisa ser confirmado

Apesar do conteúdo das mensagens e das acusações relatadas por Vorcaro, nada disso significa confirmação automática dos fatos. A proposta de colaboração premiada ainda precisa ser analisada, e as declarações dependem de comprovação independente para terem valor probatório.

O caso passa a reunir suspeitas sobre a negociação entre o BRB e o Banco Master, além de possíveis repasses financeiros e articulações políticas em torno da operação. A apuração segue em andamento. (reportagem ampliada com informações da Revista Fórum)

Deixe seu comentário