POLÍCIA
Flávio Bolsonaro era 'usuário master' de conta bancária de suposto fraudador do INSS, e não correntista coadjuvante
Por JB POLÍCIA
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Publicado em 14/10/2026 às 10:20
Alterado em 14/10/2026 às 10:32
Flávio Bolsonaro (na extrema direita) e Willer Tomaz (de barba), com o senador Weverton Rocha (segundo a partir da direita) em safári na Áfica Foto: reprodução da Revista Piauí
PF encontra e-mails sobre conta ligada a empresa de advogado
A Polícia Federal identificou uma troca de mensagens com o Santander que menciona Flávio Bolsonaro como usuário master de uma conta da Alcazar Holdings, empresa administrada pelo advogado Willer Tomaz, acusado de fraudar descontos em aposentadorias e benefícios do INSS. O documento foi localizado em arquivos analisados no iCloud do advogado e passou a integrar a investigação sobre desvios do INSS. Diferentemente do que o JORNAL DO BRASIL reportou, Flavio não era coadjuvante na conta, mas 'usuário master', ou seja, tinha acesso elevado à conta.
A informação é da jornalista Malu Gaspar, publicada nesta quarta-feira (14) em "O Globo". De acordo com o relatório da PF, o senador teria figurado na documentação de abertura da conta com nível elevado de acesso e gerenciamento. Para os investigadores, isso pode indicar eventual participação econômica ou societária na empresa, ou seja, Flavio seria sócio do fraudador, e não apenas amigo íntimo, como já confirmou, interpretação rejeitada tanto pelo senador quanto por Tomaz.
Pedido de exclusão e versões divergentes
Em 22 de maio de 2025, quando já havia estourado o escândalo do INSS (22 de abril de 2025), uma secretária de Willer Tomaz pediu ao banco a inclusão de um novo usuário no perfil master, e solicitou a desvinculação de nomes associados à conta, entre eles o de Flávio Bolsonaro. O Santander respondeu horas depois informando que as contas haviam sido excluídas do contrato.
A equipe do senador afirma que ele "nunca manteve conta com Willer como usuário master" e que o e-mail comprova justamente a existência de uma vinculação indevida, depois corrigida. Já a defesa do advogado sustenta que o documento não demonstra relação financeira ou societária e classifica qualquer conclusão nesse sentido como ilação.
Jato compartilhado e conexões empresariais
A investigação também relaciona a Alcazar Holdings a uma das cotas do jato Legacy 650, matrícula PP-NLR, usado por Flávio Bolsonaro em janeiro de 2025 numa viagem de Brasília a Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, e de volta ao Brasil. Na ocasião, o senador disse que voou de carona a convite de Willer Tomaz.
Além da Alcazar, o avião tinha outros cotistas, entre eles a Prime You, da qual Daniel Vorcaro foi sócio no período citado pela apuração. Os investigadores afirmam que a participação da holding em um terço do capital social da empresa dona da aeronave reforça a relevância do vínculo para entender as relações indiretas descritas no relatório.
Viagens, mensagens privadas e novas frentes da apuração
Os documentos também apontam que Willer Tomaz teria custeado viagens com Flávio e familiares por meio de outra empresa, a Cathedral Holding, usada como intermediária na compra de passagens aéreas. A PF considera que o uso da companhia não se limitou a questões patrimoniais ou societárias e pode ter servido para operacionalizar deslocamentos pessoais.
Há ainda registros de reservas para voos entre Europa e destinos no Mediterrâneo, com presença de familiares de ambos, além de menções ao aplicativo Confide, usado para "mensagens criptografadas e efêmeras". Segundo os investigadores, o número de telefone de Flávio constava como contato favoritado pelo advogado, o que amplia o conjunto de relações analisadas na apuração. O aplicativo Confide destrói automaticamente as mensagens depois de lidas, não deixando rastros.
Defesas negam irregularidades
Em nota, Flávio Bolsonaro disse que as insinuações são "falsas" e que a divulgação dos dados ocorre em período eleitoral, com potencial de interferência no pleito. Willer Tomaz também negou ter dividido conta bancária com o senador e afirmou que as viagens citadas foram de lazer, sem pagamento ou contrapartida.
O caso segue sustentado por documentos, e-mails e registros extraídos de aparelhos e contas analisadas pela Polícia Federal. A investigação conecta movimentações bancárias, viagens internacionais e relações empresariais que agora serão confrontadas pelas defesas e pelos próximos desdobramentos do inquérito. (com informações de "O Globo")