POLÍCIA
Flavio Bolsonaro tinha conta conjunta com advogado alvo da Policia Federal por fraudar descontos indevidos no INSS, revela site
Por JB POLÍCIA
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Publicado em 10/10/2026 às 07:09
Alterado em 10/10/2026 às 08:31
Flavio Bolsonaro e Willer Tomaz Foto reprodução
A Polícia Federal encontrou e-mails no iCloud (arquivo virtual chamado de nuvem) do advogado Willer Tomaz indicando que ele, investigado pela Operação Sem Desconto (dos débitos indevidos em aposentadorias e pensões), dividia uma conta bancária no Santander com o senador Flávio Bolsonaro. Trata-se de uma modalidade de conta empresarial em que uma das partes é o usuário master e o outro é o "usuário vinculado". A descoberta foi publicada pelo repórter Fabio Serapião no site UOL, na edição deste sábado (10), e passou a ser analisada como um possível elo financeiro entre o presidenciável e o investigado. Flávio e Willer são amigos de dividir avião e de integrar suas famílias nas mesmas viagens internacionais. Eles também estão envolvidos no caso do despejo do jogador de futebol Richarlyson de um ilha avaliada em R$ 10 milhões em Angra dos Reis.
Segundo a reportagem, o material foi localizado em mensagens trocadas entre o escritório de Tomaz e o banco, envolvendo uma conta relacionada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. A PF aponta que o nome do senador aparece "associado ao usuário master" do sistema bancário usado pela empresa.
Pedido de desassociação ao Santander
O e-mail central da investigação é de 22 de maio de 2025. Nele, uma funcionária de Tomaz solicita ao Santander a retirada da conta “Flávio Bolsonaro” do usuário master do advogado. No mesmo dia, o banco confirmou que a conta Flavio Bolsonaro havia sido excluída. O movimento ocorreu cerca de um mês após a primeira fase da operação. A PF, agora, quer ver toda movimentação da referida conta.
Nos documentos analisados, a conta identificada com o nome do senador aparece no mesmo acesso administrativo em que o escritório também havia pedido a inclusão da Alcazar Holdings, ao lado de uma conta pessoal do próprio Tomaz. Para a PF, esse conjunto de informações pode ajudar a entender quem realmente operava a conta e quais recursos circulavam por ali.
Negativas e avanço das apurações
Flávio Bolsonaro afirmou que nunca manteve conta com Willer Tomaz como usuário master e classificou como falsa qualquer afirmação nesse sentido. Tomaz, por sua vez, disse que a conta não lhe pertencia, negou ter criado usuário em nome do senador e sustentou que a relação entre ambos é apenas de amizade, sem vínculo comercial ou financeiro.
Apesar das negativas, a investigação ganhou novas frentes. Tomaz já foi alvo de busca e apreensão por suspeita de lavar dinheiro desviado de aposentadorias e também é investigado por movimentações em apostas online. Segundo a apuração, ele teria movimentado R$ 13 bilhões em bets e perdido R$ 163 milhões em uma única plataforma ao longo de 2025.
O que a PF ainda quer esclarecer
A documentação, sozinha, não prova quem movimentou recursos na conta nem confirma se houve repasse de dinheiro ilícito ao senador. A PF aprofundar a análise sobre as movimentações financeiras de Tomaz, suas empresas e eventuais relações com agentes públicos.
Um ponto técnico considerado importante é que contas empresariais no Santander podem ter múltiplos usuários autorizados. O perfil master tem acesso amplo às operações, enquanto usuários vinculados têm permissões limitadas. Por isso, a investigação busca identificar quem, de fato, operava a conta enquanto ela esteve vinculada ao acesso do advogado.
Para os investigadores, o fato de a desassociação ter sido solicitada e concluída no mesmo dia, pouco depois do início da operação, é um elemento relevante para aprofundar a apuração e esclarecer a origem e o destino dos valores envolvidos. E os dados pretéritos não são apagados do sistema do banco. (reportagem ampliada com informações do Uol e da Revista Fórum)