POLÍCIA
PF investiga financiamento de mansão de Flávio Bolsonaro em Brasília
Por JB POLÍCIA
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Publicado em 02/10/2026 às 18:48
A Polícia Federal passou a investigar uma nova frente de apuração envolvendo a compra de uma mansão em Brasília pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). No centro do caso está a operação de crédito usada para viabilizar a aquisição do imóvel, que entrou no radar após o avanço de um inquérito sobre Daniel Vorcaro e a relação do Banco Master com o Banco de Brasília (BRB).
Como foi o financiamento
Do total de R$ 6 milhões pagos pela mansão, R$ 3,1 milhões foram financiados pelo BRB. O imóvel fica no Setor de Mansões Dom Bosco, uma das áreas mais valorizadas da capital federal, e tem área total de 2,4 mil metros quadrados. O contrato foi firmado em 2021 e previa 360 parcelas para quitação da dívida.
Segundo as informações divulgadas inicialmente por O Globo, a taxa de juros contratada foi de 3,71% ao ano, abaixo da média praticada pelo próprio BRB naquele período, que girava em torno de 4,85%. À época, o banco era presidido por Paulo Henrique Costa, hoje preso por envolvimento no esquema de fraudes atribuído a Vorcaro.
Auditoria e apuração da PF
As supostas irregularidades na operação de crédito foram apontadas por uma auditoria independente contratada pelo BRB após a mudança na diretoria. O relatório foi entregue à Polícia Federal em fevereiro e passou a integrar a investigação sobre as movimentações financeiras relacionadas ao banco e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A apuração busca entender se houve favorecimento na concessão do empréstimo e qual a relação da operação com o conjunto de suspeitas que atingem o sistema financeiro de Brasília. A inclusão desse financiamento amplia o alcance do inquérito e coloca o negócio imobiliário entre os pontos analisados pelos investigadores.
Posição de Flávio Bolsonaro
Quando o caso veio a público, Flávio Bolsonaro afirmou que tinha renda mensal de R$ 56 mil, incluindo o salário no Senado e outras fontes de renda, e sustentou que teria condições de arcar com o compromisso financeiro. Em vídeo divulgado na ocasião, ele disse que a transação foi legal e atribuiu a compra à venda do imóvel onde morava e à participação em uma loja de chocolates.
Apesar de o contrato prever um prazo de 30 anos para pagamento, o senador quitou os R$ 3,1 milhões em apenas três anos. O fato também passou a chamar atenção dos investigadores, diante das condições do financiamento e do contexto mais amplo da apuração conduzida pela PF.