POLÍCIA
Operação Crédito Oculto atinge banqueiros, empresários e fundos ligados à máfia dos combustíveis nesta quinta-feira
Por JB POLÍCIA
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Publicado em 24/09/2026 às 07:30
Alterado em 24/09/2026 às 08:39
Viaturas da Polícia Federal em operações nesta quinta-feira Foto: Polícia Federal/divulgação
A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em 32 locais nesta quinta-feira (24) em uma ofensiva contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado à máfia dos combustíveis. A operação, batizada de Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto, foi autorizada pela Justiça de São Paulo e se espalha por endereços em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.
Entre os 40 alvos estão nomes do mercado financeiro e empresários investigados por suposta participação na ocultação de patrimônio e na estruturação de operações usadas para dissimular a origem do dinheiro. O Ministério Público apura ainda possíveis conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A Entre Investimentos, usada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para transferir dinheiro para Flávio e Eduardo Bolsonaro, também está no foco.
Terrana no centro da investigação
As apurações se concentram na compra da distribuidora Terrana, alvo de suspeita de ter sido adquirida por meio de uma complexa arquitetura financeira para esconder os verdadeiros donos. Segundo os investigadores, a empresa, que atua nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, pode ter sido comprada por até R$ 153 milhões.
Para o Gaeco, a operação teria servido para preservar o funcionamento de postos abastecidos pela organização criminosa, inclusive pontos usados para lavar dinheiro do tráfico. A Terrana é o nome fantasia da Tobrás Distribuidora de Combustíveis, que chegou a figurar entre as maiores do país e teve as atividades suspensas pela Justiça do Rio.
Fundos, holdings e empresas de fachada
A investigação aponta o uso de fundos de investimento, holdings e empresas com movimentação financeira suspeita para esconder a origem dos recursos. De acordo com os promotores, nove fundos e 27 empresas teriam participado da estrutura, e 16 delas tiveram bens tornados indisponíveis por decisão judicial.
Entre os mecanismos citados estão o Fundo Celebration, o Radford Fundo de Investimentos Multimercado e operações com CDBs e CCBs para dar aparência legal aos repasses. Os investigadores afirmam que parte das empresas foi criada pouco antes das transações e tinha capital social incompatível com o tamanho do negócio.
Mensagens e documentos reforçam suspeitas
O material reunido pela investigação inclui mensagens, contratos, documentos, áudios e perícias em celulares e computadores apreendidos em fases anteriores da operação. Segundo o Ministério Público, os arquivos mostram reuniões, combinações sobre pagamentos e tentativas de burlar a fiscalização.
As conversas também indicariam a participação de intermediários na montagem da estrutura e no uso de “laranjas” para formalizar negócios. Em alguns trechos, os promotores afirmam que ficou evidente o papel de articuladores financeiros e operacionais na engrenagem investigada.
Banco Genial, Reag e outros nomes citados
A investigação também alcança o Banco Genial, a Reag Investimentos e a Altinvest, além de executivos e advogados apontados como peças da engrenagem. O Banco Genial afirmou aos promotores que o fundo citado tinha perfil específico de investimentos e que adotou providências após a Operação Carbono Oculto.
Já a Reag foi liquidada pelo Banco Central após ser alvo da Polícia Federal, e seu dono, João Carlos Mansur, firmou acordo de colaboração premiada com a PGR. O Gaeco sustenta, porém, que a estrutura teria sido usada para mascarar o patrimônio e os reais beneficiários dos recursos.
Foragidos e próximos passos da apuração
Os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, são apontados como líderes da organização criminosa e estão foragidos desde a primeira fase da Carbono Oculto, em agosto de 2025. Para os promotores, eles teriam recorrido a uma rede sofisticada de empresas, fundos e intermediários para manter ativos e esconder a origem do dinheiro.
Com a nova etapa da investigação, o Ministério Público tenta detalhar a rota dos valores, identificar os beneficiários finais e rastrear a participação de cada operador financeiro. A apuração segue com análise de perícias e documentos obtidos nas buscas desta quinta-feira. (reportagem ampliada com informações da Agência Estado)