JUSTIÇA
Metadados ligam Alexandre de Moraes a abertura de contrato do Banco Master com sua mulher em computador do STF
Por JB JURÍDICO
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Publicado em 01/09/2026 às 13:08
Alterado em 01/09/2026 às 14:07
O ministro Alexandre de Moraes Agência Brasil
Metadados extraídos de um documento do contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes apontam que a última versão do arquivo foi aberta no Office 365 utilizado por Alexandre de Moraes. O registro técnico atribui a abertura do documento ao perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, em 15 de janeiro de 2024, poucas horas depois de o banqueiro Daniel Vorcaro devolver a minuta com ajustes.
O escritório de Viviane Barci de Moraes confirmou que o ministro acessou o contrato. Segundo a banca, o setor de compliance buscou informações sobre possíveis impedimentos legais antes da contratação, já que Viviane é esposa de Moraes.
Troca de mensagens
A negociação começou em 11 de janeiro de 2024, quando Viviane enviou a Vorcaro uma minuta de prestação de serviços. Quatro dias depois, o banqueiro devolveu o texto com uma única cláusula incluída e pediu confirmação para seguir com a assinatura. Depois disso, a versão final foi retornada por Viviane em 17 de janeiro, mantendo a estrutura de 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos cada.
Nos dias seguintes, houve mensagens sobre a forma de assinatura, com pedido de envio das vias físicas e também da versão digital. Viviane pediu que o contrato fosse encaminhado em envelope lacrado e confidencial, e orientou o envio das cópias para o administrador do escritório, Guilherme Benazzi.
Valor do acordo e pagamentos
O contrato previa pagamento total bruto de R$ 131.274.351,72, com parcelas mensais depositadas até o quinto dia útil de cada mês. Em valores líquidos, o montante previsto era de R$ 108 milhões. Os documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado mostram que o Banco Master transferiu R$ 80.223.653,84 ao escritório entre 2024 e 2025, em 22 pagamentos de R$ 3.646.529,72.
Os repasses foram interrompidos após a prisão de Daniel Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Ele estava prestes a embarcar para Dubai quando foi detido.
Posição do escritório
Na nota divulgada, o Barci de Moraes afirmou que o setor de compliance pediu ao ministro Alexandre de Moraes informações sobre eventual impedimento para a contratação, em razão da relação dele com a sócia diretora da banca. O escritório disse ainda que, como o ministro nunca julgou causa envolvendo o Banco Master, não haveria restrição legal para a prestação dos serviços.
Segundo a banca, os serviços advocatícios foram prestados normalmente após a assinatura do contrato. A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou sobre o caso.
O ministro André Mendonça mandou que a Procuradoria Geral da República expeça um parecer sobre o que seriam "diálogos" entre Moares e o banqueiro Moraes, mas até o momento o que foi divulgado foram os questinamentos de Vorcaro, e nenhuma resposta do ministro.