Defesa de Lulinha critica vazamentos e cita caso Flávio Bolsonaro/Vorcaro: '61 milhões de motivos'

Marco Aurélio Carvalho afirmou que há mais elementos ainda não divulgados na investigação sobre Dark Horse e pediu transparência

Por JB JURÍDICO

O advogado Marco Aurélio Carvalho

O advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, questionou nesta quinta-feira (20) a sequência de vazamentos em investigações envolvendo seu cliente. Em entrevista à GloboNews, ele disse que o caso recebe tratamento desigual e que há materiais ainda não conhecidos publicamente.

Ao responder sobre o que poderia surgir nas apurações, Carvalho desviou o foco para o caso Dark Horse, relacionado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao suposto financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo ele, ainda existe conteúdo não divulgado, incluindo áudios e vídeos citados na investigação.

Os repasses ligados ao filme Dark Horse

O caso veio a público em maio, após revelações do Intercept Brasil sobre mensagens e um áudio que mostrariam Flávio Bolsonaro negociando recursos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os documentos apontaram a promessa de um aporte de US$ 24 milhões no projeto, valor que, na cotação da época, equivaleria a cerca de R$ 134 milhões.

De acordo com as informações divulgadas, ao menos US$ 10,6 milhões, ou cerca de R$ 61 milhões, teriam sido transferidos para a produção. Na entrevista, o advogado lembrou esse valor e cobrou explicações sobre o destino dos recursos, reforçando que Flávio havia prometido esclarecimentos públicos.

“Nós temos 61 milhões de motivos para pedir explicação”, disse Carvalho.

Prazo venceu sem prestação de contas detalhada

Em 19 de maio, após a repercussão dos áudios, Flávio Bolsonaro afirmou que havia pedido à produtora e ao fundo ligados ao filme uma prestação de contas em até 30 dias. O prazo terminou sem que um relatório detalhado fosse apresentado publicamente, e a ausência de novas informações segue alimentando questionamentos.

Nesta quinta-feira, o senador disse que o caso é uma “página virada” e afirmou que as contas foram prestadas. Mesmo assim, a defesa de Lulinha cobra a divulgação integral do material da investigação e questiona por que elementos mencionados ainda não vieram a público.

PF, STF e disputa por transparência

A apuração sobre os repasses de Vorcaro é investigada pela Polícia Federal. Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura do inquérito após pedido da PF e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

No mesmo dia da entrevista, a PGR defendeu a saída de um dos inquéritos envolvendo Lulinha do STF e o envio do caso à primeira instância. A Procuradoria afirmou não ver indícios de participação de autoridade com foro privilegiado, enquanto a defesa sustenta que o filho do presidente Lula está sendo submetido a um rigor maior por causa do sobrenome.

Carvalho também disse que avalia pedir o levantamento integral do sigilo dos inquéritos, para que todo o conteúdo possa ser conhecido e contestado publicamente. Ele defendeu que, assim como ocorre com o caso de Lulinha, os dados ligados a Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e ao Banco Master também sejam tornados públicos. (com informações da Revista Fórum)