JUSTIÇA
Moraes ameaça levar Bolsonaro de volta à cadeia, e sinaliza que pode cassar candidatura de Flávio à Presidência
Por JB JURÍDICO
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Publicado em 29/07/2026 às 06:01
Alterado em 29/07/2026 às 08:39
'Possível reversão da prisão domiciliar' Fonte: STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas para a defesa de Jair Bolsonaro esclarecer se o ex-presidente autorizou o uso de sua imagem e voz em um vídeo gerado por inteligência artificial e exibido durante a convenção nacional do PL, no sábado (25). O material tem conteúdo político-eleitoral e levou o magistrado a avaliar possível descumprimento das condições impostas à prisão domiciliar.
Na gravação, a versão digital de Bolsonaro afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, diz que nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança despertado por seu movimento e pede apoio a Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. Moraes ressaltou que o ex-presidente está com os direitos políticos suspensos e proibido de usar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros.
Moraes também ameaçou a campanha de Flavio, citando "abuso de poder econômico" e desobediência a resolução do TSE. Campanhas estão proibidas de usar Inteligência Artificial, sob pena de cassação.

'Abuso de poder político e econômico' Fonte: STF
Possível descumprimento da prisão domiciliar
Na decisão, Moraes afirmou que eventual concordância de Bolsonaro com a divulgação do vídeo pode representar nova e grave transgressão às regras da prisão domiciliar humanitária. Segundo ele, a conduta pode até levar à reversão do benefício para o regime fechado, em razão do teor político e da proximidade com as sanções já impostas ao ex-presidente.
O ministro também lembrou que Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses e está em prisão domiciliar humanitária desde 24 de março, por motivo de saúde. Além disso, o STF já havia entendido que o ex-presidente descumpriu condições anteriores após Flávio Bolsonaro divulgar uma carta atribuída ao pai com apoio à candidatura do filho.
Deepfake e reação do PT
Moraes observou que, se Bolsonaro não tiver autorizado o uso do conteúdo, a responsabilidade pode recair sobre Flávio Bolsonaro e o PL, com possível enquadramento como deepfake, prática vedada pela legislação eleitoral. O TSE proíbe o uso de conteúdo sintético para substituir imagem ou voz de pessoa viva, mesmo quando há suposta autorização.
No domingo, o PT acionou o TSE contra o PL e o senador Flávio Bolsonaro por suposta propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial. O caso reforça a disputa jurídica e política em torno do vídeo, enquanto o STF mantém restrições mais amplas a visitas e manifestações político-eleitorais envolvendo o ex-presidente.
Novas restrições impostas pelo STF
Depois de avaliar a situação, Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai por 90 dias e determinou que o ex-presidente não receba visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de 2026. Também suspendeu visitas gerais por 30 dias, com exceção das equipes médica, fisioterapêutica e dos advogados.
As medidas reforçam o controle do STF sobre a comunicação política associada a Bolsonaro enquanto ele cumpre a prisão domiciliar. O tribunal considera que qualquer manifestação feita direta ou indiretamente, inclusive por terceiros, pode violar as restrições em vigor e gerar novas sanções judiciais.