O Brasil tem uma lista curiosa de propriedades luxuosas que, por várias razões, foram deixadas para trás. Algumas carregam histórias de falência, outras de disputas judiciais intermináveis e algumas até de crimes. O que todas têm em comum é o efeito que causam em quem passa por elas: uma mistura de fascínio, estranhamento e vontade de entender o que aconteceu ali dentro.
Apesar de um país com as proporções do Brasil não ter nenhuma falta de casarões e mansões dilapidadas, algumas atraem mais a curiosidade e causam mais intriga entre os brasileiros, e é a maior mansão abandonada do país: a mansão de um ex-banqueiro no bairro de Morumbi, em São Paulo.
Mansão de Edemar Cid Ferreira
Entre os casos mais conhecidos está a mansão do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira. Construído entre os anos 2000 e 2004, o imóvel é um retrato da extravagância que marcou o auge do “Banco Santos”: três elevadores pneumáticos, piscinas coberta e descoberta, 34 banheiros, adega para cinco mil garrafas, duas galerias de arte e banheiros de vidro que mudavam de cor ao serem ocupados. Nas paredes, obras de Pablo Picasso, Andy Warhol e Tarsila do Amaral, entre outros.
Quando o banco faliu, a mansão entrou no espólio judicial e foi saqueada ao longo dos anos. Em 2011, após derrota nos tribunais, a família do ex-banqueiro foi removida do imóvel. O processo de leilão se arrastou por quase uma década, com quatro tentativas. Em 2020, a propriedade, avaliada inicialmente em mais de R$ 110 milhões, foi arrematada por cerca de R$ 20 milhões. O imóvel é tombado pelo patrimônio histórico e cultural de São Paulo por causa do acervo de obras de arte que ainda integra a coleção.
Mais imóveis intrigantes
Apesar da mansão de Edemar ser uma das maiores, diversas outras construções chamam a atenção no país, seja em São Paulo ou até mesmo em Brasília, a capital do país.
A mulher da casa abandonada
Em um dos bairros mais nobres de São Paulo, Higienópolis, outra mansão ficou famosa por razões bem diferentes. A casa de Margarida Bonetti entrou no radar público após o podcast “A Mulher da Casa Abandonada“, produzido pelo jornalista Chico Felitti para a Folha de S. Paulo.
A história revelou que a proprietária foi acusada de manter uma empregada doméstica em trabalho análogo à escravidão durante décadas nos Estados Unidos. Depois de retornar ao Brasil antes de ser julgada pelo crime, Margarida passou a viver isolada na mansão em processo de deterioração. A repercussão do podcast gerou abertura de inquérito policial e um mandado de busca e apreensão cumprido no local. Quando os policiais entraram, ela estava em casa e tentou impedir a entrada dos agentes.
O Porsche na garagem do Park Way
Em Brasília, uma mansão em área nobre do Park Way virou assunto nas redes sociais depois que internautas divulgaram imagens do local mostrando algo fora do comum: na garagem, coberto por uma fina camada de terra, um Porsche 911 estava estacionado como se o dono fosse voltar a qualquer momento. Junto dele, um Fiat Marea, um jet-ski e duas motos também foram deixados para trás.
A propriedade, com mais de 2 mil metros quadrados, dois andares e área de lazer, pertencia a um ex-servidor público que comprou o lote em 1996. O casal que morava no local parou de pagar o condomínio em 2013. Com juros, a dívida chegou a R$ 141 mil. Dentro da casa, móveis estampados, quadros na parede e até um jogo de xadrez montado sobre a mesa de centro permaneceram exatamente onde foram deixados.
O imóvel foi a leilão com lance inicial de R$ 1,1 milhão, mas o processo foi suspenso depois que a ex-esposa do proprietário alegou não ter sido formalmente intimada. Ela não sabia o que estava acontecendo com a casa, já que não mantinha contato com o ex-marido desde a separação. O caso segue em disputa judicial, enquanto os vizinhos continuam passando em frente a uma casa que dizem parecer estar “parada no tempo”.





