O fundador da Havan, Luciano Hang, repudiou a Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Lula nesta terça-feira (12) que elimina o imposto de importação sobre compras internacionais de até 50 dólares, a chamada “taxa das blusinhas“. Para ele, a decisão representa um “tsunami” para o varejo e a indústria nacionais.
Hang argumenta que zerar o tributo para plataformas estrangeiras sem oferecer nenhuma contrapartida ao comércio brasileiro cria uma competição desigual. Segundo ele, a taxa de juros lá fora é muito menor, não há legislação trabalhista equivalente e os produtos que chegam ao país escapam de fiscalizações que são obrigatórias para empresas nacionais, como as do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
Para embasar a crítica, o empresário diz que 50 dólares cobrem cerca de 90% do que é vendido no varejo brasileiro. Ou seja, a isenção não se restringe a itens de baixo valor.
Hang acusa a medida de “marketing”
Hang foi além e atacou o próprio apelido que o imposto ganhou nas redes sociais. Para ele, a expressão “taxa das blusinhas” foi uma estratégia de comunicação das plataformas internacionais, com apoio de influenciadores, que reduziu a percepção pública sobre o que realmente estava em jogo. O empresário defende que o efeito prático é muito mais profundo do que a taxação de roupas.
O dono da Havan, que tem mais de 180 lojas no país, afirma que os balanços do primeiro trimestre do varejo nacional já mostram resultados ruins. Para ele, a medida agrava um setor que já amarga rentabilidade pressionada e que convive com notícias frequentes de falências.
Do outro lado
Contrário ao empresário, o Governo Federal defende a medida como um benefício para as camadas mais pobres da população, que utilizam com frequência as plataformas internacionais para comprar produtos do dia a dia.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, ressaltou que a isenção só foi possível após a regularização de um setor que antes era marcado pelo contrabando. Já o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a MP retira impostos federais do consumo popular.
A medida entra em vigor nesta quarta-feira (13), após publicação no Diário Oficial.





