Uma propriedade rural na divisa entre Goiás e Tocantins chama a atenção de especialistas devido às suas proporções. A Fazenda Nova Piratininga, apontada pelo setor como a maior fazenda de ciclo completo do Brasil, se estende por cerca de 200 mil hectares, o equivalente a 2 mil quilômetros quadrados.
Para ter uma ideia do tamanho: a capital de São Paulo é considerada a maior cidade das Américas, ocupando um total de 1.521 km². Ou seja, a fazenda não é apenas maior que uma cidade, é maior que um dos maiores municípios do continente.
Localizada às margens dos rios Araguaia, Javés e Verde, entre os municípios de São Miguel do Araguaia e Araguaçu, a propriedade foi adquirida em 2010 e consolidou ao longo dos anos uma operação que vai além da criação de gado. Hoje, integra a chamada “pecuária de ciclo completo”, agricultura em larga escala e uma estrutura que se assemelha à de uma pequena cidade.
120 mil cabeças e tecnologia de ponta
O rebanho da Nova Piratininga soma cerca de 120 mil bovinos, sendo aproximadamente 60 mil matrizes em idade reprodutiva. Para gerenciar esse volume, a fazenda divide a operação em cinco setores com funções específicas: dois voltados à cria, um para recria de futuras matrizes, um para recria de gado comercial e o confinamento para terminação.
A reprodução é um dos pontos fortes da operação. A propriedade tem um dos maiores programas de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) do país, com dezenas de milhares de protocolos por estação. O método combina genética de Nelore e Angus para ganhar precocidade e qualidade de carcaça, e os índices de prenhez seguem acima da média nacional. Em 2024, levantamentos setoriais apontaram taxas médias acima de 50% com IATF, patamar já considerado bom por institutos de pesquisa.
Autossuficiente no campo
Além da pecuária, a fazenda investe em agricultura de precisão para sustentar o próprio rebanho. A área plantada de soja, que era de 3 mil hectares na safra 2019/2020, mais que dobrou no ciclo seguinte. No milho, o objetivo é a autossuficiência: produção própria de grãos, silagem e feno garante forragem suficiente para atravessar os períodos de seca sem queda de desempenho.
Essa organização permite sincronizar colheita, estocagem e distribuição interna, reduzindo a dependência de compra no mercado externo. Em períodos críticos, a combinação de dieta planejada e logística própria mantém os 120 mil animais abastecidos com previsibilidade.
Uma fazenda-cidade ou cidade-fazenda?
A infraestrutura da Nova Piratininga também impressiona por si mesma. A propriedade conta com quase 1 mil quilômetros de estradas internas que conectam retiros, currais, pastagens e lavouras. Uma pista de pouso agiliza deslocamentos técnicos e executivos. Os reservatórios de água somam capacidade declarada de 10,6 bilhões de litros, garantindo irrigação e segurança hídrica mesmo nos anos mais secos.
Dentro da fazenda vive uma comunidade de mais de 600 pessoas, com escola, oficinas e serviços de saúde para atender funcionários e famílias. Alguns especialistas afirmam que o modelo lembra uma vila rural autossuficiente, encravada dentro de uma operação agropecuária de escala industrial.





